Dia Internacional da Mulher: os passos para a igualdade

A empresa precisa estar pronta para mostrar que esse tema é sério e não deve ser encarado como um modismo ou uma propaganda enganosa

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shutterstock_557769019 — Foto: Shutterstock

Bombons, buquê de rosas e outros presentes permeiam o dia da mulher na maioria das empresas, mas frente ao movimento histórico que estamos vivendo, com estatísticas alarmantes de diversos tipos de violência contra a mulher dentro e fora do ambiente de trabalho, a comemoração corporativa deveria ser diferente.

A criação do Dia Internacional da Mulher, motivado e alimentado por lutas históricas rumo à igualdade, tem relação direta com o ambiente corporativo e, por isso, cabe também às organizações, como microcosmo importante da sociedade, atuar diretamente na vociferação e cumprimento desta causa.

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Para que isso de fato aconteça, alguns passos devem obrigatoriamente ser dados iniciando com a alta administração da empresa arregaçando as mangas e abordando o tema de maneira aberta e legítima. A única forma de se eliminar o preconceito instalado na cultura corporativa, modificando estruturalmente o papel da mulher no ambiente de trabalho, é por meio de um interesse real daqueles que conduzem os valores organizacionais.

O segundo passo é uma revisão geral dos pontos onde existe a distinção entre mulheres e homens. Salários, desenvolvimento e crescimento profissional, destaque organizacional, respeito nas relações… A empresa precisa estar pronta para mostrar que esse tema é sério e não deve ser encarado como um modismo ou uma propaganda enganosa.

O terceiro passo é a realização de treinamentos e discussões sólidas com todos os colaboradores, homens e mulheres, sobre respeito e igualdade. Temas como prevenção ao assédio sexual e moral, preconceito, micro machismo e respeito são fundamentais. Deve-se também, nestes momentos, fortalecer a mensagem de que o inimigo da igualdade não é exclusivamente o homem, e sim valores e mentalidade inadequados presente tanto em profissionais identificados com o sexo masculino como feminino.

As empresas também devem adotar ações diárias para garantir que essa mensagem seja compreendida e seguida por seus colaboradores, seja por meio do ‘endomarketing’, como também na condução de investigações céleres, profissionais e eficazes em casos de denúncias de assédio ou preconceitos.

Diante dos inúmeros casos de violência contra a mulher, inclusive em ambiente domésticos e públicos, a organização pode também oferecer suporte às vítimas através de facilitação de contato com especialistas psicólogos, advogados ou assistentes sociais, por exemplo, auxiliando as mulheres nos pedidos de socorro e no compartilhamento de seus medos. O empoderamento e suporte às profissionais no que tange à erradicação da violência contra a mulher é fundamental.

Assim, o Dia Internacional da Mulher deve iniciar uma força conjunta de empoderamento e combate ao preconceito, violência e desigualdade. Ainda que não seja uma responsabilidade exclusiva, a empresa é um agente de transformação cultural e social.

*Antonio Carlos Hencsey é psicólogo e sócio responsável pelas áreas de Cultura, Comportamento Ético e Education da Protiviti, consultoria global especializada em finanças, tecnologia, operações, governança, risco e auditoria interna.

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