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Democratização da tecnologia vem das nuvens – Por Mauro Muratório

Durante muito tempo, a tecnologia foi um artigo de luxo, desfrutado por poucos. Mas vejo no horizonte, cada vez mais próximo, um novo movimento que a tornará disponível para todos. Recentemente ouvi Donald Feinberg, renomado vice-presidente do Gartner, fazer uma colocação bastante pertinente: “a computação em nuvem é uma abordagem revolucionária que surgiu de uma evolução tecnológica”. É uma mudança radical que já está servindo de instrumento para a democratização do acesso às mais modernas ferramentas.

Desde que surgiram os primeiros mainframes, somente a elite empresarial conseguia ter orçamentos que acompanhassem os custos. Eram tempos difíceis, de reserva de mercado, nos quais pouquíssimos fornecedores ofereciam de tudo: hardware, software e serviços. A indústria era totalmente verticalizada e os custos dos produtos altíssimos.

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Já na década de 90, mais precisamente a partir de 1992, o cenário mudou. As barreiras econômicas foram derrubadas, novos players passaram a competir e o mercado tornou-se horizontalizado: o que significa que o volume cresceu e o custo baixou. Foi neste ambiente efervescente que uma tecnologia nova que prometia revolucionar o mundo corporativo, e também, o comportamento dos usuários domésticos começou a brilhar: a Internet. Mas, ainda era para poucos. No final daquele decênio, o Brasil vendia cerca de dois milhões de PC’s ao ano.

Naquele período a tecnologia ganhou força e, desde então, tem oferecido uma gama infinita de possibilidades. Como um ciclo virtuoso, as oportunidades fazem com que haja necessidade de hardware, de ferramentas, de serviços e, cada vez mais, da capacidade computacional.
Tudo muito rápido. Na velocidade de um click. Os equipamentos passaram a ter vida útil média de três anos – depois disso, tornam-se obsoletos. E, apesar do custo muito mais baixo do que na época dos mainframes, toda essa rapidez nos deixa reféns das novidades.

Agora, com a aplicação da computação em nuvem, quebra-se um grande paradigma: ninguém precisa ter o último lançamento em hardware para ter acesso às mais importantes ferramentas. Basta um monitor, um teclado, um mouse e acesso à Internet. Todos os aplicativos – de editores de texto a sistemas de gestão estão lá, disponíveis 100% do tempo, acessíveis de qualquer lugar. O profissional um pouco mais viciado em trabalho pode abrir as planilhas de custo da sua empresa de uma praia do Nordeste, no meio das suas férias. Basta que ele tenha um dispositivo móvel como um notebook, um netbook ou um smartphone com acesso à rede. Assim como um estudante, pode fazer o trabalho em grupo com os colegas de escola sem a necessidade de uma reunião presencial na
casa de alguém da equipe. Basta compartilhar o arquivo na nuvem.

Que podemos achar utilizações interessantes para o cloud computing é indiscutível, mas quais os benefícios reais desta nova onda? O principal e mais amplo deles está relacionado a custos. Com a capacidade computacional localizada na nuvem, não há necessidade de atualizações tão constantes de hardware. Com o armazenamento externo, não há necessidade de complexos recursos de gerenciamento de informações. Como os softwares alocados na nuvem, os usuários deixarão de gastar com caras licenças e passarão a pagar valores bem mais justos de acordo com a utilização. Isso irá também inibir a pirataria de software, que segundo dados da Associação Brasileira de Empresas de Software (Abes), em 2008, fez o País perder cerca de 1,6 bilhão de dólares.

Como podemos perceber, a computação em nuvem está chegando – devagar, é verdade – mas de uma forma irreversível. E todas estas modernidades que vêm da nuvem trazem, principalmente, a democratização do acesso à informação, à tecnologia e a um mundo novo, cheio de possibilidades.

*Mauro Muratório é CEO do Grupo TBA

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itmidia
16 anos ago

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