A indústria da tecnologia da
informação, como todas as outras ligadas à pesquisa de ponta, necessita de
profissionais extremamente capacitados, sempre atualizados, e que sejam
egressos de um sistema educacional eficiente. Em um momento em que nossa
economia dá sinais alarmantes, como o baixo crescimento do PIB e o avanço da
inflação, precisamos refletir sobre as estruturas que de fato possibilitam um
crescimento sustentável.
A
tecnologia da informação é uma área especialmente dinâmica, que está constantemente
explorando novos caminhos e abrindo oportunidades profissionais, mas que passa
por um sério problema de escassez de mão de obra. É uma área especialmente
sensível aos problemas educacionais de um país.
Os
profissionais de TI precisam de uma formação sólida e, mais ainda, de constante
aperfeiçoamento. Em contrates, o que vemos atualmente é a dificuldade das
empresas em recrutarem pessoal para preencherem suas vagas.
Um estudo recente da consultoria
internacional IDC revela que, na América Latina, a demanda por esses
profissionais vai exceder a oferta em 35%, ou aproximadamente 296 mil
profissionais, em 2015.
No caso
específico do Brasil, o estudo mostra, a situação é igualmente preocupante.
Existe atualmente no país uma carência de cerca de 39,9 mil profissionais de
tecnologia, sendo que até 2015 esse número deve crescer para 117 mil.
A falta de
profissionais qualificados para a indústria da tecnologia representa um grande
entrave que afetará diretamente as tentativas de ampliar nossa infraestrutura para
que a economia deslanche, uma vez que a área oferece suporte técnico e
estratégico a diversos setores da economia, e a falta de profissionais aptos a
assumirem funções em TI é um problema que atinge a base de desenvolvimento das
indústrias, e deve ser observado de perto por governo e sociedade.
Em tempo,
governo e setor privado devem juntar esforços no entendimento de que, sem uma
educação de qualidade que forme profissionais aptos a desenvolverem a economia,
toda a sociedade sofrerá com os índices negativos que virão. Para além do
desgastado clichê da importância da educação, precisamos enxergar sua
importância estratégica como formadora de seres humanos capazes de desenvolverem
sua sociedade.
A economia
brasileira vive momentos decisivos, que traçarão o panorama do seu futuro, seja
promissor ou turbulento. Ainda precisamos resolver questões básicas que
emperram nosso crescimento, e mais do que nunca precisamos criar uma cultura de
valoração constante à educação.
Só assim
teremos profissionais qualificados, não apenas em tecnologia da informação, mas
em todas as áreas, que poderão atuar como protagonistas na construção de um
país desenvolvido.
(*) Pedro Saenger é vice-presidente da Hitachi Data Systems para a América Latina
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