Tanto se fala em transformação digital que o conceito está virando quase um clichê. Mas não é. Poucas empresas, no entanto, conseguem compreender o verdadeiro significado e a real importância de se transformar. Mais ainda: não sabem como e por onde começar. Partindo do básico, toda companhia já possui alguma maturidade tecnológica. O que precisa ser avaliado é se esse estágio pode ser aperfeiçoado, mantendo, assim, o seu legado, ou se deve ser iniciado um projeto de reconstrução do zero, realizando o tombamento completo da arquitetura.
Para obter essa resposta, antes é preciso realizar uma questão fundamental: sua empresa está pronta para se transformar digitalmente? Será essa transformação que determinará os impactos positivos que a companhia busca atingir, sobretudo na otimização de desempenho com vista aos melhores resultados. Para isso, é necessário realizar o que chamamos de assessment, avaliação objetiva e aprofundada sobre os pontos que precisam ser desenvolvidos. Esse é o primeiro e primordial passo para essa transformação. Entender o que é necessário para renovar os sistemas e os processos.
O assessment pode desvendar as tecnologias que estão envolvidas na arquitetura tecnológica da empresa. Exemplos incluem computação em nuvem, infraestrutura, modelagem e armazenamento de dados, business intelligence, big data, analytics, learning machine, arquitetura orientada a serviços ou produtos, microsserviços e uma significativa compreensão da arquitetura corporativa.
Somente por meio do assessment é possível identificar se é viável reutilizar a tecnologia presente no sistema legado, mesmo que esta seja defasada, que chamamos de Mundo Velho, ou se será necessário construir uma nova arquitetura do sistema. A partir da visão que a empresa busca, a avaliação do legado é fundamental para que possa ser feita a transição com vista à Transformação Digital, que é o Mundo Novo.
Acredita-se que abandonar o legado, realizando o tombamento completo da antiga arquitetura de solução seria o melhor caminho, uma vez que não se enxerga valor em algo defasado e que não apresenta resultado. Mas essa avaliação nem sempre está correta, o que pode gerar um trabalho desnecessário e, consequentemente, custo maior.
Uma avaliação acurada do assessment consegue dizer se a arquitetura atual consegue passar por uma atualização, ocorrendo, assim, uma fusão entre o Mundo Velho e o Mundo Novo. Uma estrutura adequada pode passar por uma aceleração, que busque a otimização daquele serviço.
Imagine uma empresa que possui diversos canais de atendimento com o cliente, seja chat, portal, aplicativo ou qualquer outra solução nesse sentido. Se uma dessas soluções apresentar um resultado limitado no que se propõe a fazer (aplicação monolítica), todas as demais soluções serão impactadas, criando assim um gargalo. Nesse caso, o que pode ser feito? Apresenta-se uma nova solução que elimine esse gap e, assim, otimize o resultado e sua escala. A transformação ocorreria por meio do desenvolvimento de uma aplicação de microsserviços, mais moderna, flexível e escalável.
Se o parque tecnológico de uma empresa possui majoritariamente aplicações monolíticas, que não se comunicam entre sim e não entregam resultados com rapidez, é necessário fazer a fusão para uma arquitetura que integra essa comunicação, com aplicações de microsserviços, mais nova, flexível e moderna. Aqui se dá o encontro do Mundo Velho com o Mundo Novo. Ocorre a transformação digital.
Em qualquer cenário, que deve ser muito bem avaliado, o processo para realizar a Transformação Digital já não é mais uma opção. As empresas precisam cada vez mais olhar a sua própria arquitetura tecnológica, visualizar o cenário e buscar o melhor caminho de aperfeiçoamento. Para isso, o assessment deve ser muito bem conduzido e a companhia deve procurar o parceiro estratégico que compreenda as suas necessidades e seja assertivo nesse casamento do Velho com o Novo Mundo, sem abrir mão do legado.
(*) Vera Tavares é CTO do Verity Group
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