Máquinas dominando os homens e gerando uma desordem sem tamanho na sociedade. Parece roteiro de filme e realmente é, segundo Stephen Brobst (foto), Chief Technology Officer (CTO) da Teradata. O medo em torno da inteligência artificial (AI, na sigla em inglês) faz as pessoas fantasiarem sobre o que pode acontecer quando máquinas ganharem mais e mais inteligência. Mas a realidade mostra um cenário completamente diferente.
“É hollywoodiano. Não é real. Há um professor de ciência da computação de Stanford que diz que se preocupar com AI tomando conta do mundo é como se preocupar com a superpopulação de Marte. Vamos primeiro chegar à Marte para depois pensar na superpopulação”, comparou ele.
Assim, na visão do especialista, as consequências sociais da inteligência artificial são mais reais do que os cenários de caos construídos pela indústria cinematográfica. “Jerry Kaplan, cientista da computação, costuma dizer que computadores não colocam pessoas para fora dos negócios, colocam competências fora dos negócios. Haverá capacidades que não serão mais necessárias. Por exemplo, configurar um computador. Essa não será uma capacidade necessária”, disse ele, completando que já hoje há empresas que usam chatbots para ajudar clientes nessa tarefa.
Ele assinala que profissões como a de motorista desaparecerão e a preocupação é em encontrar outros postos de trabalho para essas pessoas. “Essa mudança de paradigma vai causar um problema social grande. Precisamos descobrir quais capacidades se tornarão obsoletas e quais não”, alertou.
Uma das áreas que Brobst acredita que não será substituída pela AI é a arte. “AI já compôs música e não se saiu bem. AI está muito longe de fazer isso de forma efetiva”, comentou.
Por outro lado, revelou, há grande potencial de AI no setor de saúde, não só auxiliando pessoas com problemas, como também garantindo mais assertividade na atuação de médicos, gerando redução de custos. Ele exemplifica.
“Vejo a evolução de realidade aumentada para um digital twin, ou seja, um gêmeo digital, onde será possível replicar o corpo humano de forma virtual, aplicar técnicas e entender o que acontece com o corpo humano e ser mais assertivo no tratamento.”
*A jornalista viajou a Anaheim, na Califórnia (EUA), a convite da Teradata
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