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Conheça o trabalho (gelado) de um gerente de TI no Pólo Sul

Henry Malgrem estava determinado a ir para o Pólo Sul. Depois de se graduar, candidatou-se a um emprego na Antártica e foi contratado em 2001 pela Raytheon, que presta serviços para a National Science Foundation (NSF). Desde então, Malgrem se divide entre a sede em Denver e a Estação Pólo Sul Amundsen-Scott, onde passou dois verões e dois invernos antes de chegar ao cargo de gerente de TI. A permanência é um compromisso: quando o inverno começa, não há como entrar ou sair da base até o início do verão, oito a nove meses depois.

Tenho que perguntar: como é o clima?
Neste momento, muito bom, menos 51 graus centígrados e ventos de pouco mais de 11 quilômetros por hora. É o que considero um dia realmente bom.

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O que o levou a trabalhar na Antártica?
Nunca tinha saído dos Estados Unidos antes de me formar na faculdade. Uma namorada minha fazia intercâmbio e, depois de ouvir as histórias dela, percebi que queria arranjar um emprego fora do país.  De certo modo, a oportunidade de trabalhar na Antártica surgiu de repente quando eu procurava emprego e encarei-a como uma passagem perfeita para viajar por algum tempo.

Qual é sua função na estação?
Minha função envolve desde a superestrutura de TI até satélites, sistemas telefônicos e rádios portáteis. Em última análise, sou responsável por tudo que envolve telecomunicações e computadores. Tenho uma equipe de sete pessoas que prestam suporte a outras 250 a 270 durante o verão, que é agora. No inverno, que vai de meados de fevereiro a meados de outubro, a equipe cai para quatro pessoas oferecendo suporte a entre 60 a 70.

Qual é seu dia de trabalho típico?
Trabalhamos no mínimo nove horas por dia, seis dias por semana. Nas duas primeiras horas respondo e-mails. Depois saio e converso com os cientistas para ver se eles têm o que precisam e se há algum problema que possamos resolver. Adoro poder botar as mãos na tecnologia, apesar de estar do lado da gerência. Eu me sinto uma espécie de técnico-jogador, já que tenho cinco anos de experiência nestes sistemas enquanto que a maioria dos meus funcionários está aqui pela primeira vez.

O que ocupa mais o seu tempo?
A segurança da informação. Neste momento, acompanhar vulnerabilidades, patches e coisas do gênero consome um terço do nosso tempo. Muito diferente de apenas dois anos atrás.

Como é seu data center?
Temos uma estação que concluímos em 2005 e um data center completo, com chão elevado e tudo que você teria em qualquer lugar do mundo. Temos cerca de 30 servidores. Também temos o que chamamos de prédio RF (radiofreqüência), situado a cerca de um quilômetro da estação principal, e um data center de emergência lá, com servidores de arquivo extras e uma SAN. É onde ficam as antenas de satélite. Se acontecer alguma coisa com o data center principal, podemos deslocar nossas operações para lá.

Você trabalha com alguém de TI nos Estados Unidos?
Em Denver há uma equipe inteira à qual posso recorrer, na realidade dependemos bastante deles. Quando temos problemas e não podemos solucioná-los aqui, pedimos ao nosso pessoal em Denver para localizá-los e resolvê-los.

É difícil contratar pessoal para trabalhar?
Normalmente há muitos candidatos – levei quatro anos para ser contratado. Mas existem ocasiões em que não conseguimos ter candidatos suficientes. Flutua de acordo com a economia. Neste momento, estamos disputando profissionais de comunicação por satélite com contratadores do Iraque e do Afeganistão. Eles podem pagar mais do que nós. Obviamente, a vantagem aqui é que ninguém atira em você.
Quais desafios técnicos você enfrenta?

Nosso maior desafio é largura de banda. Durante apenas 12 horas por dia temos velocidades entre T-1 (1.54 Mbps) e 3 Mbps. Também temos um transponder (transmissor receptor) que podemos usar para enviar 60 Mbps unidirecional do pólo para o mundo real. Utilizamos para transferir dados científicos. Nosso recorde foi 94 Gb em um dia.

Há três satélites que utilizamos para internet. Todos são muito antigos. Temos um satélite meteorológico, um satélite para comunicação marítima e o primeiro satélite da NASA lançado em 1981. Os outros foram lançados em 1976 ou 1977.

Basicamente, estamos recolhendo tudo que conseguimos encontrar, e só podemos ver cada satélite durante 3 a 4 horas por dia. Fora isso, somos praticamente uma rede típica. Usamos equipamento Cisco, temos linhas terrestres para todos os quartos e fibra ótica distribuída por todo o prédio. Se um dia a fibra para o desktop se tornar realidade, o prédio estará cabeado previamente para isso. Tentamos ser “à prova de futuro” o máximo possível.

Qual foi o projeto mais interessante do qual participou recentemente?
No ano passado, montamos um sistema muito interessante que usa a rede de satélite Iridium. Temos 12 modems multiplexados juntos e conectividade total de 28.8K 24×7. Ninguém achava que ia funcionar. Ninguém nunca pensou que teríamos conectividade 24×7 no Pólo Sul. Este é o nosso último recurso. Quando nossos satélites banda larga ficam inoperantes, mudamos automaticamente para o sistema Iridium.

Por quanto tempo você continuará indo para a estação?
Sempre que venho para cá me sinto um felizardo. Todo ano é diferente e não consigo me imaginar fazendo outra coisa. Mas minha namorada está tentando me convencer a trabalhar mais perto de casa. (Tradução de Computerwrold – EUA)

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Redação
18 anos ago

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