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Os sistemas de registro eletrônico de saúde (EHR, da sigla em inglês) estão ficando melhores, não se pode negar. Fornecedores seguem com melhorias nas funcionalidades e adicionando recursos. Além disso, essas ferramentas permitem que os médicos se conectem remotamente por meio de tablets e smartphones.
Pode-se dizer que a maioria dos registros eletrônicos de saúde tem capacidade básica de inteligência de negócios para ajudar fornecedores de saúde a coletarem dados necessários para qualificar para os incentivos financeiros, no caso do modelo norte-americano. Mas médicos ainda reclamam de uma deficiência: essas ferramentas podem impedir sua produtividade, reduzindo o número de pacientes atendidos.
Em pesquisa divulgada pela American EHR Partners, uma colaboração entre o American College of Physicians e a fabricante Cientis Technologies, um dos questionados disse que leva o dobro de tempo para completar a consulta, e ressalta que vê, agora, 75% do número de pacientes que costumava consultar por dia.
Outro questionado ? um médico jovem, experiente em lidar com computadores ? afirma não concordar em ter que clicar muitas vezes e tocar em telas. Para ele, os registros eletrônicos tornam mais demorados todos os aspectos do trabalho que envolve cuidados com os pacientes.
A médica Careen Whitly, do Hill Physicians, em Oakland (EUA), observa que, antes de começar a usar o registro eletrônico, atendia 35 pacientes por dia. Esse número caiu para 15 durante a implantação do sistema e subiu para 20 seis meses depois. Em reunião recente do Gabinete do Coordenador Nacional de Tecnologia da Informação de Saúde dos EUA, Careen, de forma geral, deu ao registro eletrônico do paciente uma avaliação positiva. Para ela, as eficiências do EHRs não estão no tempo gasto pelo provedor, mas no uso mais eficiente da equipe auxiliar, diminuição da redundância e disponibilidade imediata dos dados do paciente.
Mas alguns médicos estão tão frustrados com o EHR que aconselham seus colegas a levar a penalidade por não implementá-lo (uma redução de 1% nos reembolsos até 2015 do Centers for Medicare e Medicaid Services). Essa reação extrema é justificável? Pela experiência de Careen, bem como de pesquisas de fontes independentes, não.
Um estudo feito pelo professor de gerenciamento e ciências da computação da UC Davis Graduate School of Management, Hemant Bhargava observou a produtividade de cerca de 100 médicos usando o sistema EHR. A pesquisa descobriu a produtividade dos médicos caiu inicialmente cerca de 33%, mas após um mês, voltou ao normal.
Indo mais a fundo nas estatísticas de produtividade, a equipe de Bhargava descobriu que médicos internos, se saíram melhor do que pediatras e médicos de família. A teoria dos pesquisadores é que como o registro eletrônico de pacientes pode mostrar mais eficientemente dados armazenados, são melhores adaptáveis a internistas, que se apoiam em dados para chegar a um diagnóstico. Por outro lado, os pediatras e médicos de família realizam mais entrada de dados e documentação, o que consome tempo com registros eletrônicos, especialmente quando o sistema exige muitos menus, telas e cliques de mouse.
Uma solução óbvia é que os médicos encontrem um fornecedor de registro eletrônico de saúde que entenda sua especialidade e cria um produto que seja mais adequado ao seu fluxo de trabalho; mas essa é somente uma parte da resposta. Os médicos também reclamam do suporte que os fornecedores disponibilizam após a instalação do sistema, ou sobre seu custo. É preciso que os gerentes de TI envolvam médicos e enfermeiros desde o início do processo de planejamento de EHR.
Os médicos têm boas razões para se irritarem com os Registros eletrônicos de saúde, mas ao realizar uma análise completa das opções de sistema e tendo a paciência para galgar a curva de aprendizado uma vez que o sistema esteja instalado, deixará a jornada mais prazerosa.
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