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Como a falta de mão de obra em TI impacta o setor

*José Bublitz

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Dentre todas as demandas de mão de obra no mercado de trabalho atual, aquela que figura em terceiro lugar no mundo todo é a dos profissionais de Tecnologia da Informação.  Encontrar pessoas qualificadas e certificadas nesta área tem sido um grande desafio, não só para os Recursos Humanos, como para toda a organização, que sofre com a demora na entrega de projetos e solução dos problemas, em um mundo cada vez mais dependente da automatização e informatização de seus dados, que refletem na melhoria de processos e redução de custos.

Segundo dados da Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação, até 2014, só no Brasil, a demanda girará em torno 78 mil novos profissionais, mas apenas 33 mil terão a formação necessária para atuar ou entrar no mercado de trabalho. Todos os segmentos serão afetados e no caso da distribuição de TI, a situação não será mais confortável, mesmo para aqueles que estão localizados em São Paulo, região em que este mercado mais forma profissionais. Em 2010, São Paulo teve cerca de 10 mil estudantes formados nas universidades, mas a demanda foi de 14 mil.

Campinas foi a 12ª cidade do Brasil que mais criou empregos na área de TI. No ano passado foram 18.939 empregos entre contratações e demissões, segundo dados do CAGED do MT, pois nesta região estão localizadas grandes indústrias. As empresas precisam recrutar em outras cidades para preencherem suas vagas e, embora a região seja rica em escolas, os profissionais ainda não estão capacitados para atender às especificações das suas demandas internas.

Em muitos casos a situação é agravada pela falta de fluência em idiomas estrangeiros como inglês e espanhol, bem como no trato com negócios, que envolvem cálculos e tarefas específicas. Os desenvolvedores e especialistas em gestão de sistemas são os mais procurados, seguidos por administradores de banco de dados e gerentes de projetos.

Ainda segundo pesquisas realizadas, os salários destes profissionais cresceram acima da inflação em todo território nacional, a remuneração média é de R$ 2.950,00 contra as demais atividades que é de R$ 1.499,00 e isso para profissionais que têm entre dois e três anos de experiência.

Movidos pela dificuldade de contração, muitas empresas vão buscar nos concorrentes estes profissionais, que acabam sendo contratados por salários mais elevados. A rotatividade torna-se um problema também, principalmente para aqueles que estão no início da carreira e são facilmente atraídos por outras propostas.

Tudo isso faz com que as empresas tenham que investir em seus planos de carreira e retenção dos profissionais, exigindo de segmentos como o de distribuição, melhorias nos seus níveis de profissionalização e gestão de pessoal. O gargalo existe para todos e buscar na concorrência não pode ser a única alternativa, inclusive, por ser muito cara.

Muitas empresas preferem trazer profissionais mais juniores para posteriormente assumirem suas posições mais seniores, mas reter o jovem, como dito anteriormente, é desafiador, portanto a gestão de pessoas tende a ser a principal habilidade requerida pelos gestores.

Em paralelo, treinar continua sendo a alternativa para as empresas evitarem apagões de mão de obra em médio e longo prazo. As parcerias com universidades e entidades que coligam segmentos podem ser bem vindas, inclusive devido à baixa qualidade dos cursos superiores no Brasil. A integração entre as empresas e escolas é importante na definição de ementas curriculares, bem como a organização de programas de trainee e estágio, que produzem benefícios não só para si, como para os profissionais e para toda a sociedade.

*José Bublitz é diretor da ABRADISTI (Associação Brasileira de Distribuidores de TI)

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Mariano Gordinho
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