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Segurança cibernética no Brasil: desafios e necessidades urgentes de ação

LGPD foi um avanço importante para a segurança cibernética no país, mas a falta de uma cultura de segurança digital segue como um obstáculo

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Imagem: Shutterstock
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Nos últimos anos, o Brasil tem enfrentado um aumento significativo nos incidentes de segurança cibernética. Segundo dados do Centro de Estudos, Resposta e Tratamento de Incidentes de Segurança no Brasil (CERT.br), o país registrou mais de 2,3 milhões de notificações de incidentes cibernéticos em 2023, um crescimento de quase 20% em relação ao ano anterior. Esses números revelam a urgência de um plano nacional de segurança cibernética robusto, já que, com o aumento da digitalização, as vulnerabilidades e os riscos se ampliam.

A evolução do cibercrime no Brasil inclui ataques de ransomware, phishing e fraudes financeiras. Dados da Check Point Research indicam que o Brasil é o país mais afetado por ransomware na América Latina, sendo responsável por mais de 50% dos ataques reportados na região. Este cenário não apenas expõe as fragilidades das instituições financeiras e governamentais, mas também deixa milhões de brasileiros vulneráveis.

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A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), implementada em 2020, representa um avanço importante para a segurança cibernética no Brasil. No entanto, a falta de cultura de segurança digital nas empresas e entre os cidadãos ainda é um obstáculo significativo. Segundo uma pesquisa da PwC, cerca de 50% das empresas brasileiras afirmam não estar plenamente preparadas para atender a todos os requisitos da LGPD. Além disso, uma pesquisa da Cisco revelou que mais de 80% dos brasileiros ainda são suscetíveis a ataques de phishing, destacando a necessidade de educação digital.

Para que o Brasil se torne mais resiliente a ataques cibernéticos, é essencial que o governo, empresas e a sociedade atuem de forma conjunta. Primeiramente, o setor público deve intensificar os investimentos em infraestrutura cibernética. Em 2022, o orçamento do governo federal para a segurança digital foi de apenas R$ 30 milhões, um valor insuficiente frente à crescente ameaça. Além disso, o investimento em capacitação profissional é crucial. Dados da Associação Brasileira de Cibersegurança (ABCyber) indicam que o país enfrenta um déficit de mais de 400 mil profissionais qualificados em segurança da informação.

Por outro lado, as empresas precisam adotar uma postura mais proativa na proteção de dados. A implementação de protocolos de segurança e a atualização constante de sistemas são práticas fundamentais. De acordo com a pesquisa da IBM, o custo médio de uma violação de dados no Brasil é de aproximadamente R$ 5 milhões, o que revela o impacto financeiro significativo para as empresas que negligenciam a segurança cibernética.

A sociedade também tem um papel importante na mitigação dos riscos cibernéticos. Investir em campanhas de conscientização pode ser uma das medidas mais eficazes para reduzir o número de ataques, uma vez que, como revela a pesquisa da Symantec, mais de 60% dos incidentes ocorrem por erro humano. A promoção de uma cultura de segurança digital e a inclusão de temas sobre cibersegurança no currículo escolar são essenciais para preparar as futuras gerações para esse cenário digital.

É fundamental que o Brasil trate a segurança cibernética como uma questão de soberania nacional. A criação de um plano nacional de cibersegurança, com metas e investimentos a longo prazo, é uma medida essencial. Essa estratégia deve incluir a modernização da legislação, a fim de acompanhar o avanço das ameaças, além de parcerias com outros países para o compartilhamento de informações e o combate a crimes digitais.

Em um mundo cada vez mais interconectado, o Brasil precisa não apenas proteger suas infraestruturas críticas, mas também garantir que a segurança digital se torne uma prioridade em todos os níveis da sociedade. A segurança cibernética não é apenas uma questão técnica, mas sim um pilar essencial para a economia, a proteção da privacidade e a preservação da confiança pública. Portanto, é hora de agir de forma assertiva e colaborativa para garantir um futuro digital mais seguro para todos os brasileiros.

Flávia Brito é CEO da Bidweb Security IT, Conselheira do Porto Digital, VP da Associação Brasileira das Empresas de Software, ABES-P e Doutoranda em Engenharia de Software pela CESAR School.

 

 

 

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Sobre o Autor

A Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES) atua com o propósito de contribuir para a construção de um Brasil Mais Digital e Menos Desigual, porque acredita que a tecnologia da informação desempenha um papel fundamental para a democratização do conhecimento e a criação de novas oportunidades, visando melhor qualidade de vida para todos, de forma inclusiva e igualitária. Diante desse propósito, o objetivo da ABES é o de assegurar um ambiente de negócios propício à inovação, ético, dinâmico, sustentável e competitivo globalmente.

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