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A governança e as startups: uma jornada em nove capítulos

Especialista inicia série sobre governança corporativa para startups

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governança startups
governança startups — Foto: Shutterstock

É sempre uma grande responsabilidade falar a um público qualificado e experiente. Mas é também prazeroso poder dividir com vocês esta nova etapa que me aproximou das startups e da governança corporativa, após 30 anos de vida executiva. Desde então, os anos têm sido de muito aprendizado e histórias para contar.

Ficarei com vocês pelos próximos meses, numa frequência mensal, alternado a publicação de artigos com nossos colegas da Comissão de Inovação do IBGC, buscando repassar um pouco do conhecimento adquirido.

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Antes desta nova etapa, foram três décadas na mais bem-sucedida empresa de consultoria global, na qual vivi experiências incríveis e pude acompanhar e participar ativamente das grandes transformações no mundo da tecnologia e da inovação.

Ao iniciar minha carreira, nos anos 80, as palavras hardware e software ainda eram pouco conhecidas no mundo empresarial e soavam ameaçadoras. Lembro-me do meu teste de admissão, que trazia um texto para ser traduzido e interpretado, onde constavam estas duas palavras. Constrangido e com receio de ser reprovado, esclareci que havia traduzido tudo exceto as tais duas palavras.  Fui aprovado!

Em meu primeiro job, visitei o CPD da Lever Industrial (hoje Unilever), no Centro Empresarial de São Paulo, que ocupava centenas de metros quadrados. O CPD tinha piso elevado, um sistema de ar condicionado exclusivo e era o orgulho do CIO na época. Foi naquela imponente e grandiosa infraestrutura de hardware que implantamos um dos primeiros ERPs II em uma empresa no Brasil.

Desde então, a tecnologia veio ganhando espaço em velocidade exponencial, adjetivo que é até hoje usado nas aulas do ensino médio para explicar uma função matemática e que se tornou frequente nas conversas sobre inovação nos últimos anos. Trinta anos depois, a tecnologia tornou-se intrínseca às nossas vidas pessoais e profissionais.

Seis anos atrás, constatei que o mundo estava sendo puxado ainda pela tecnologia, porém, com contornos distintos. O hardware deu espaço ao software, aos algoritmos, aos aplicativos, aos devs, à volatilidade, ao “pivotar” e tantas outras palavras usuais a todos nós, sendo o ponto alto de tudo a chamada disrupção dos modelos de negócio. Mas o que mais me chamou a atenção foram os atores responsáveis por tais mudanças. Não eram as grandes organizações, mas sim as pequenas, ágeis e flexíveis, capazes de “pivotar” a qualquer minuto – mesmo se isto significasse a sua sobrevivência.

Este mundo novo das pequenas organizações “escaláveis, de alto potencial econômico e inovadoras”, na definição do caderno Governança Corporativa para Startups e Scale-ups (publicado pelo IBGC em 2019 e que recomendo a leitura), é o que estamos vivenciando com as chamadas startups. Elas vieram para ficar e irão revolucionar a velocidade com que as mudanças ocorrerão no mundo dos negócios.

Nos próximos artigos, pretendo aprofundar a discussão do porquê elas serão instrumentos fundamentais ao ecossistema de negócios e o papel da governança para ajudá-las no processo de escalar suas operações.

* Giancarlo Berry é membro da Comissão de Startups e Scale-Ups do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC)

* Este artigo é de responsabilidade dos autores e não reflete, necessariamente, a opinião do IBGC

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