Ao contrário do que muitos imaginam, a Linguagem Comum Orientada para os Negócios (Common Business Oriented Language), mais conhecida como Cobol, é utilizada em larga escala, principalmente na operação de sistemas de natureza crítica, aqueles que jamais podem falhar. Criada em 1959, essa linguagem de programação é considerada um recurso preciso e de alto desempenho em computação por empresas públicas e privadas pertencentes a diversos setores econômicos.
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Quando se trata de funções de processamento numérico, nas quais qualquer erro de arredondamento faz grande diferença, os códigos são baseados nessa linguagem para garantir a exatidão necessária. Bancos, seguradoras, sistemas de gestão de fundos de pensão são grandes usuários dessa tecnologia, uma vez que pode ser utilizada e integrada a qualquer plataforma. Aproximadamente 85% das transações de negócios processadas diariamente pelas instituições financeiras rodam em Cobol.
Uma restrição comum que surge quando o assunto é programação Cobol diz respeito ao complexo tratamento de tela, e da baixa usabilidade para os padrões atuais. Essa restrição inexiste em modernos sistemas, nos quais ambientes especializados permitem receber o dado bruto da aplicação e apresentá-lo no dispositivo e em formatos mais apropriados a cada usuário.
A camada de apresentação é suportada de forma isolada da aplicação, o que permite incrível agilidade na publicação da informação e ainda reforça sua segurança.
Leia mais: Por que você (ainda) deve saber Cobol?
Estima-se que existem 2 milhões de profissionais trabalhando em Cobol no mundo, muitos deles próximos da idade de se aposentar. Esse ciclo gera uma forte demanda, o que resulta em boas oportunidades para os conhecedores da linguagem.
Uma das estratégias para atrair o interesse de instituições de ensino e de estudantes de TI em relação ao Cobol – além da clara oportunidade financeira advinda da demanda por profissionais – é integrá-lo a ambientes de desenvolvimento amplamente utilizados e cobertos pelo currículo acadêmico das instituições. Cobol editado a partir de um ambiente Eclipse é um exemplo, dicionários de dados customizados que facilitem o armazenamento e recuperação de dados é outro.
Atualmente, são entregues mais de 5 bilhões de linhas escritas em Cobol por ano e o investimento nessa plataforma (incluindo pessoas e hardware) é estimado em US$ 5 trilhões.
A substituição da plataforma Cobol não está nos planos da grande maioria das organizações. Elas têm como prioridade atender um negócio cada vez mais demandante. O momento para essas companhias é de avançar e disponibilizar informação segura para clientes e colaboradores, na hora e no dispositivo preferido de cada um.
A missão acima pode, sim ,ser muito bem atendida por sistemas Cobol, atualizados, modernizados e ágeis, provendo suporte às empresas e governos para suas operações mais críticas, como tem sido até hoje.
Para as instituições de ensino, a possibilidade da criação de currículos opcionais e cursos customizados “in company” destinados a esse mercado. Aos futuros desenvolvedores, cabe enxergar essa oportunidade, bem no coração de TI das maiores instituições públicas e privadas.
*Marcel Valverde é diretor para as áreas de Servers & Storage da Unisys na América Latina