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CI&T cresce com IA e sinaliza: empresas buscam agora resultados com a tecnologia

Com cinco trimestres de alta consistente, companhia brasileira aponta que o verdadeiro desafio agora não é adotar IA é operá-la com impacto

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Leandro Angelo, Partner e EVP da CI&T. Foto: Divulgação
Leandro Angelo, Partner e EVP da CI&T. Foto: Divulgação

A CI&T inicia 2026 apoiada em um conjunto de resultados positivos, que ajudam a explicar uma mudança significativa em curso no mercado corporativo. No quarto trimestre de 2025, a companhia registrou receita de US$ 134,3 milhões, crescimento de 19,3% em relação ao mesmo período do ano anterior, além de um avanço de 38,6% no lucro líquido. Foi o quinto trimestre consecutivo de expansão orgânica de dois dígitos, ritmo que, no setor, já não pode ser explicado apenas por demanda reprimida ou ciclo econômico.

A análise interna é a de que o crescimento está diretamente associado à maturação da inteligência artificial (IA) nas empresas. Segundo Leandro Angelo, Partner e EVP da CI&T, essa transição marca o fim de um ciclo importante. Nos últimos anos, empresas adotaram IA de forma fragmentada, com pilotos distribuídos entre áreas e objetivos pouco claros. O que muda agora é a natureza da cobrança: a tecnologia passa a ser tratada como investimento estratégico, com expectativa de retorno, previsibilidade e escala.

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Na prática, essa mudança gera um novo desafio. Para o executivo, o principal risco hoje não é deixar de adotar IA, mas adotá-la de forma “desordenada”. “Se não houver um direcionamento claro, os times passam a usar IA de forma pulverizada. Isso pode gerar um consumo relevante de capital sem necessariamente trazer impacto proporcional no negócio”, explica Angelo.

Esse cenário já começa a aparecer em grandes organizações, em que diferentes áreas adotam modelos, ferramentas e provedores distintos, sem governança central. O resultado é uma combinação de aumento de custo, riscos de segurança e baixa visibilidade de retorno.

O executivo indica que é nesse contexto que surge o CI&T Flow, plataforma proprietária da companhia. “Diferentemente de ferramentas voltadas à execução, o Flow atua como uma camada de orquestração, conectando modelos, controlando consumo e trazendo clareza sobre ROI”, conta ele. “A plataforma ajuda a garantir que o uso de IA está acontecendo da forma mais eficiente possível, com segurança e visibilidade de resultado”, completa.

Virada dos sistemas

Se a governança resolve o problema do controle, a execução passa por uma mudança ainda mais profunda, a adoção de sistemas baseados em agentes.

Segundo Angelo, a CI&T trabalha com sistemas capazes de conduzir jornadas completas, especialmente em áreas como atendimento, vendas e suporte. No setor de seguros, por exemplo, agentes conversacionais assumem a interação com clientes desde o primeiro contato, qualificam a demanda e só envolvem um humano no momento final da conversão.

O impacto é direto na receita, garante ele. “Esses sistemas capturam oportunidades que antes se perdiam. Eles sustentam a jornada inteira e reduzem a fricção”, explica.

Em outro caso, no varejo, a aplicação desses agentes elevou taxas de conversão de patamares entre 3% e 5% para cerca de 25%, um salto que evidencia o papel da IA não apenas na eficiência, mas na geração de demanda.

O impacto mais transformador dessa nova era, na visão do executivo, acontece de dentro para fora organizações. À medida que agentes assumem atividades complexas, a estrutura tradicional de trabalho começa a perder sentido. “A forma como os times são organizados muda. O processo muda. As responsabilidades mudam.”

Em projetos recentes, a CI&T já implementa modelos em que o próprio ciclo de desenvolvimento de software é redesenhado com base em sistemas agentic. Isso altera não apenas a produtividade, mas a lógica de colaboração entre pessoas e máquinas.

Esse movimento exige uma resposta estruturada e não pontual. Por isso, a companhia passou a atuar em três frentes simultâneas plataforma, para garantir governança; reskilling, para transformar os times; e estratégia, para direcionar a aplicação da IA para onde há maior impacto.

É nessa última camada que, segundo o executivo, está a verdadeira mudança no jogo. “É entender, para cada indústria, em que a IA realmente gera impacto imediato, e conectar isso com execução”, diz.

Eficiência que aumenta margem

Um dos pontos mais relevantes dessa transformação está na mudança da equação econômica da tecnologia. Historicamente, ganhos de eficiência vinham acompanhados de compressão de margem para fornecedores. Com a IA, essa lógica começa a se inverter.

Segundo Angelo, a CI&T tem conseguido entregar projetos mais baratos para os clientes ao mesmo tempo em que melhora sua própria rentabilidade, resultado direto do ganho de produtividade proporcionado pela IA.

“Estamos reduzindo custo para o cliente e, ainda assim, recompondo margem. Isso destrava crescimento”, afirma.
Na visão do executivo, empresas que conseguem capturar essa eficiência passam a operar com maior capacidade de investimento e velocidade. As que não conseguem, tendem a ver seus custos crescerem sem retorno equivalente.

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Sobre o Autor

Diretora de Marketing e Conteúdo da Itaqui e editora-chefe do IT Forum, Déborah Oliveira é jornalista com mais de 17 anos de experiência na área de TI. Atuou nas redações da Computerworld, CIO e IDG Now!. É bacharel em Jornalismo, com graduação executiva em Marketing e MBA em Marketing. Em 2018, venceu o prêmio de melhor Jornalista de TI no Brasil, concedido pelo Cecom. Nos anos de 2019 e 2020, foi destaque no mesmo prêmio na categoria Telecom. É uma das autoras do livro “Da Informática à Tecnologia da Informação – Jornalistas Contam Suas Histórias”, publicado pela Reality Books em 2020.

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