Na quarta-feira (18/04) o IT Web comemorou 12 anos no ar. Para comemorar, publicaremos a partir desta semana uma série de reportagens especiais sobre o futuro da tecnologia, levando em consideração o colóquio realizado na última quinta-feira (12/04) com o tema ?Cibridismo: como essa tendência afetará a TI?.
Para embasar o debate, que contou com a participação de seis especialistas, conversamos previamente com Thiago Carrapatoso, jornalista de formação e mestrando com bolsa da Fundação Nacional de Artes (Funarte) com a tese “A Arte do Cibridismo”. O termo representa o limiar que existe ente estar online e offline. Atualmente, com os smartphones, tablets e novas tecnologias, fica cada vez mais complicado de definir quando uma pessoa está conectada e quando não está. Porém a tendência, de acordo com Carrapatoso, é que essa interação fique tão natural que a discussão em torno da questão desaparecerá. E o diagnóstico é claro: já somos ciborgues.
A discussão sobre a ciborguização do ser humano surgiu após uma série de anúncios neste ano que nos levam a crer que a tecnologia estará cada vez mais presente na vida das pessoas.
Recentemente o Google anunciou os seus óculos com Realidade Aumentada e Android que prometem, por meio de comandos de voz e tecnologia de geolocalização, conexão em tempo real com as redes sociais, facilidade no compartilhamento e transmissão de todo tipo de informação, sejam fotos, vídeos ou comentários. A Nokia entrou com um pedido de patente para uma tatuagem sensível ao toque que responderia aos campos magnéticos por meio de vibração e seria pareado com smartphones via Bluetooth.
Mas para Carrapatoso isso é conversa. A ciborguização do ser humano começou faz tempo e de maneira mais simples.
Acompanhe a entrevista.
1. IT Web: você pode explicar o conceito de cibridismo?
Thiago Carrapatoso: Cibridismo é aquele limiar que existe ente estar online e offline. Com as novas tecnologias, ficou muito difícil determinar essa diferença. E o termo surgiu para unir esses dois mundos. Podemos abordar muita coisa com esse conceito como ciborgues, mudanças estruturais, games e vidas virtuais.
2. Como essa tendência afeta a vida das pessoas?
Carrapatoso: Não dá para mensurar até que ponto ela afeta a vida das pessoas. Não conseguimos descobrir até que ponto você esta offline, porque as pessoas que estão online ainda estão em contato com você. Hoje, pelas tecnologias ficarem mais baratas e acessíveis, ficou impossível mensurar.
3. Qual é a importância dos dispositivos móveis nesse fenômeno?
Carrapatoso: A partir do momento em que você consegue projetar e estender o físico para o mundo virtual, já começa a existir uma interferência. Por meio dos dispositivos móveis, você pensa no mundo físico e o mundo virtual. A partir desses dispositivos móveis, como os óculos do Google, podemos falar no fenômeno de ciborguização.
Mas ele não está restrito a aparelhos eletrônicos, também abrange aquele tênis que dá propulsão, as pílulas que usamos para dores de cabeça, ou seja, são todas as coisas antinaturais que usamos para conter as naturais. Com os dispositivos móveis você consegue trabalhar com isso todas as horas de seu dia. A palavra ciber tem significado tão grande que fica difícil trazer isso só para a tecnologia.
4. Como isso interfere no relacionamento interpessoal?
Carrapatoso: Novos meios de comunicação ajudam nesse processo. A tecnologia é ambivalente, mas isso facilita tanto os meios comunicacionais, que mudou o jeito como você se relaciona. Se isso não existisse, não teríamos mais a instantaneidade de informações. Com o cibridismo o seu ser está expandido pelo mundo inteiro.
5. Quais as oportunidades que vão surgir?
Carrapatoso: É mais uma situação do que algo que você consiga mensurar. O cibridismo é o contexto das tecnologias e da facilidade com que você consegue trabalhar em rede. O corpo físico não faz tanta diferença, mas sim o conteúdo. O aspecto cíbrido traz esse tipo de condição.
6. Em que estágio nós estamos?
Carrapatoso: O caminho é você perder a noção. É uma situação que vai se acabar, quando não tiver mais o limiar entre os dois mundos, e isso acontece a partir do momento em que você não consegue mais mensurar como a tecnologia influi no contexto físico e como interfere no cidadão e no espaço público. Já somos ciborgues.
7. Qual vai ser a próxima fronteira tecnológica que vamos romper?
Carrapatoso: O caminho é a Realidade Aumentada. Você vai se tornar o dispositivo. Pensamos no corpo como um device para se acoplar coisas. Com o dispositivo da Nokia cai o que é natural e o que não é. Usar o corpo como dispositivo é o caminho.
A tecnologia permite que tudo se torne um dispositivo para você receber informação. Mas as pessoas precisam receber a predisposição para esse conteúdo. Como dizia um amigo meu, ?a tecnologia é mato, o importante são as pessoas?. Ou seja, ela é o meio, um contexto, e existe para as pessoas se encontrarem.
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