Carreiras técnicas também são para mulheres

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Augusta Ada King-Noel, Condessa de Lovelace, filha de Lord Byron, o célebre poeta inglês do século 19, foi a primeira pessoa a quem se pode considerar programadora: ela criou o primeiro algoritmo destinado a fazer funcionar uma máquina – no caso, a “máquina analítica” de Charles Babbage, considerada o pai dos computadores.

Mais ou menos cem anos depois, entre 1943 e 1945, o Exército dos Estados Unidos desenvolveu o primeiro grande computador moderno, o ENIAC (Eletronic Numerical Integrator Analyzer and Computer), com o objetivo de ajudar as tropas aliadas durante a Segunda Guerra Mundial. Feliz ou infelizmente, ele não ficou pronto a tempo.

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Era um “monstro” que pesava 27 toneladas, ocupava um galpão inteiro, mas não funcionava. Alguém precisava descobrir como escrever as instruções para que ele pudesse operar. E quem fez isso foram seis moças – Katleen Antonelli, Ruth Teitelbaum, Jean Bartik, Frances Spence, Marlyn Meltzer e Betty Holberton – jovens alunas da Universidade da Pensilvânia recrutadas pelo governo para um projeto secreto.

Betty Holberton, segundo relata o Philly Voice em texto publicado em fevereiro de 2016, foi aconselhada por seu professor de Matemática a casar e ter filhos, ao invés de viver num mundo pouco feminino. E talvez esteja aí um importante fator pelo qual, apesar de capacidade comprovada e pioneirismo na área da computação, seja ainda pouco expressivo o número de mulheres, no mundo inteiro, em posição de destaque entre os executivos no setor de TI.

É claro que existem exemplos de mulheres bem-sucedidas nessa indústria. E podemos considerá-las como a exceção que confirma a regra. De acordo com relatório da Deloitte, ao final de 2016, nos países desenvolvidos, apenas 25% dos empregos nos setores de TI e telecomunicações estariam ocupados por mulheres.

Persistem as questões culturais que afastam as meninas das ciências exatas e carreiras técnicas – o que se soma ao fato, mais ou menos grave dependendo de onde estejamos no planeta, de que homens em geral ganham mais do que mulheres para ocupar o mesmo cargo nas empresas. Entretanto, muitas dessas mulheres, que hoje são minoria da indústria de TI, gostariam de mudar esse panorama, e já existem em grandes empresas multinacionais programas para incentivar a contratação de mulheres e o desenvolvimento de suas carreiras na organização.

Desde o início já se via que não há nenhuma razão para se acreditar que homens têm mais talento para as carreiras técnicas. A TI é um campo em que há falta de pessoas qualificadas, e uma área que só tende a crescer. Afinal nossa sociedade, nossa economia, já são digitais, e cada vez mais dependerão dessas tecnologias. Por que não incluir as mulheres?

* Daniela Cardoso é gerente de Marketing da Westcon-Comstor

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