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Capacitar hoje, inovar sempre: a educação como um pilar para os negócios da próxima década

Os desafios em encontrar mão-de-obra especializada no segmento de tecnologia são latentes no mercado de trabalho atual. E não é de hoje que vivemos esse cenário. Há alguns anos, temos visto empresas no mundo todo com dificuldades em contratar e reter talentos para lidar com tecnologias emergentes, e como isso se destoa da realidade da força de trabalho de forma geral.

Afinal, enquanto os últimos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam milhões de brasileiros ainda desempregados, o setor de tecnologia tem crescido e demandado um número cada vez maior de profissionais, impulsionado pelo avanço galopante das inovações tecnológicas e surgimento quase diários de aplicativos e soluções digitais. Uma estimativa da Brasscom (Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação) traz um sinal de alerta: a demanda por profissionais de TI e telecomunicação deve chegar a 70 mil por ano até 2024 no Brasil.

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Como contornar essa situação?

Primeiro precisamos incutir em nossa sociedade que educação e inovação caminham juntas. Todo o trabalho tecnológico e científico demanda horas de estudo e dedicação. Ao mesmo tempo, cada software desenvolvido, aplicativo lançado ou linha de código escrita, expande as fronteiras do conhecimento e multiplica as possibilidades de inovação. Desta forma, nada mais natural que as pessoas precisem de novas competências para saber usar e lidar com essas novidades. O desafio aqui é que o ritmo de aprendizado é muito mais lento do que o ritmo da inovação.

Neste contexto desafiador, o acesso à educação e a democratização da tecnologia são temas urgentes a serem discutidos, tanto nas instituições de ensino, quanto dentro das empresas. Nas escolas, apresentar aos alunos conteúdos sobre tecnologias emergentes como computação em nuvem, programação, inteligência artificial e ciência de dados é uma estratégia para introduzi-los a esses conceitos, oferecendo a possibilidade de desenvolver aptidões técnicas e até mesmo gerar interesse por algum tema que os direcionem para uma futura profissão.

Os professores também devem ser considerados nesse processo de aprendizado, para que estejam equipados com recursos e conhecimentos atualizados que os permitam guiar os alunos em sua jornada de formação, trazendo a tecnologia e a aprendizagem de habilidades técnicas para dentro da sala de aula. A proposta é repensar a educação desde sua base, para que os estudantes cheguem ao mercado de trabalho com maior resiliência para lidar com um ambiente de negócios cada vez mais competitivo e de rápida transformação.

O setor empresarial – principalmente quem está à frente do desenvolvimento de novas tecnologias – não fica de fora desse movimento. A capacitação da força de trabalho tem sido uma das prioridades para lideranças de todo o mundo, tanto habilidades técnicas quanto às chamadas soft skills. O desenvolvimento de competências também é buscado pelos talentos. De acordo com um estudo do IBM Institute for Business Value (IBV), no que diz respeito aos atributos valorizados em uma companhia, 36% das pessoas indicaram a oportunidade para aprendizagem contínua como prioridade. O mesmo estudo também mostrou que 25% das pessoas indicaram

que suas metas de requalificação ou qualificação para 2021 incluíam a inscrição em um programa formal de graduação, certificação ou distintivo.

Embora esses esforços sejam importantes e já apresentem resultados expressivos, ainda há muito o que fazer. Acredito que a educação é um dos grandes pilares de negócios da próxima década e é essencial investirmos em novos programas, parcerias e ações integradas para democratizar o conhecimento e ampliar o acesso a recursos de aprendizado para pessoas de todas as idades, momentos de carreira e situação social.

As organizações são peças-chaves para isso. Diariamente vemos como são aplicadas inovações nos mais diversos setores da economia e sabemos que a digitalização trará diferentes desafios e muitas oportunidades. Para termos uma equipe preparada para esse cenário, é essencial repensarmos a formação desses profissionais e anteciparmos quais competências serão necessárias na próxima década.

Esse é um caminho a ser percorrido de mãos dadas. Colaborações com órgãos públicos, instituições de ensino e organizações sociais, alinhadas ao desenvolvimento de novos métodos de aprendizagem com recursos interativos e plataformas com acesso remoto e gratuito, são algumas das iniciativas possíveis para alcançar um grande número de pessoas e fazer a diferença no processo educacional. Na IBM, por exemplo, expandimos ano após ano os programas de capacitação em todo o mundo por meio do programa SkillsBuild, que nos permite atuar de forma colaborativa com nosso ecossistema de parceiros em diversos formatos educativos.

Com uma agenda voltada à democratização do conhecimento e promoção do acesso às tecnologias, veremos que o desenvolvimento de capacidades técnicas e comportamentais tem o potencial não apenas de suprir o crescente gap de skills, mas também de gerar inclusão e empoderar as gerações futuras com ferramentas indispensáveis para construir uma sociedade melhor.

*Flávia Roberta Freitas é líder de Responsabilidade Social Corporativa na IBM América Latina e Brasil

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Rafael Romer
Tags: Escassez de talentostalentostalentos em TI
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