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O anúncio bombástico feito pela HP na noite de quinta-feira, 18 de agosto, movimentou o mercado de tecnologia mundial. As ações da companhia caíram cerca de 20% hoje, 19 de agosto, após o comunicado de que a maior fabricante de computadores do mundo pode realizar spin-off de suas atividades para computação pessoal.
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Tanto canais brasileiros como internacionais ficaram chocados com esta informação, que pode mudar totalmente a forma de atuação com a marca em todo o globo. ?É claro que uma informação dessa derruba algumas bases. O mercado de computação enfrenta um dilema muito grande, pois os preços estão caindo muito e o mercado não cresce?, afirmou Ivair Rodrigues, diretor de pesquisas do IT Data. ?Isso é bom para o consumidor final, que consegue ter o hardware que quer, mas é péssimo para o mercado?, complementa.
Segundo o diretor, ?o que acontece, basicamente, é que as margens para vendas desses produtos estão cada vez menores?, o que não gera lucro real nem para as fabricantes, nem para os canais. ?Nos últimos dois ou três anos, podemos perceber que os preços na ponta estão cada vez menores, mas o preço para produção continua com médias altas, sendo que não há como faturar algo com essa situação?, explica. Para Ivair, o mercado mundial de hardware, principalmente PCs e impressoras, não deve crescer nada este ano e o grande problema da HP ?é que ela é líder nesses dois segmentos?.
Mesmo o Brasil sendo considerado, em recente pesquisa, como o terceiro maior mercado consumidor de tecnologia do mundo, a representatividade do País, de acordo com o diretor, ?é muito pequena em comparação ao consumo das grandes economias e a América Latina, como um todo, representa apenas 7% do mercado global de computação?. ?Se afeta aos canais daqui, imagine como ficam os parceiros internacionais?, compara.
Ivair afirma que a comoditização desses hardwares foi o estopim para que empresas como Dell, Lenovo e HP chegassem ao ponto de reduzir expectativas de lucro em todo o mundo. ?Meu grande medo é: para onde a indústria de hardware vai? Temo que ela siga o caminho da comoditização total e isso é péssimo para a indústria da tecnologia?, opina.
?As empresas, se quiserem continuar investindo alto no desenvolvimento de notebooks e computadores, terão que se conformar ou com o baixo lucro por vendas ou com o ganho de market share?, comenta Ivair, que acredita que o mercado ?se estabilizará? nos próximos anos, tendo em vista ?uma maior compreensão da oferta e do mercado?.
Tablet seria a salvação?
?Não podemos de forma alguma afirmar isso. Ao meu ver, os tablets ainda são produtos intermediários entre o smartphone e o notebook. Não acredito na substituição de um pelo outro, mas uma complementaridade das atividades que envolvem cada dispositivo. No Brasil, por exemplo, foram vendidos apenas 200 mil devices no primeiro semestre. Esse número é muito pequeno, levando em consideração o mercado de consumo de tecnologia como um todo?, afirmou.
Uma nova IBM?
?A maior diferença da IBM e da HP, é que quando foi feito o spin-off da IBM em 2005, quando de fato surgiu a Lenovo, a companhia já contava com uma base de desenvolvimento de software e serviços muito bem estruturada e forte. A HP, por mais que tenha realizado algumas aquisições voltadas para esse mercado, ainda tem sua imagem muito atrelada ao hardware. Não é o caso de afirmar isso no momento, mas o mercado é muito ?surpreendente?, por assim dizer?, afirmou Ivair.
Quanto o possível spin-off, o diretor de pesquisas da IT Data brinca, dizendo que ?alguma companhia chinesa com certeza vai se interessar pela aquisição dessa base, mas se levarmos em consideração que as empresas estão buscando cada vez mais trabalhar com um mercado que gere lucro real, adquirir uma divisão desse tamanho é muito arriscado?. A unidade de computação pessoal da HP vale, aproximadamente, entre 10 bilhões e 12 bilhões de dólares. Alguém se habilita?
Redação
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Pamela Sousa
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