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O Fórum Econômico Mundial terminou no sábado, 26 de janeiro, em Davos, jogando um balde de água fria no conceito dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e ? mais recentemente ? África do Sul). A ideia discutida em painel no evento, e reportado pela mídia, é de que a sigla perdeu seu brilho e acabou reduzido a letra C, de China.
Segundo reportagem do jornal Folha de São Paulo, na última semana, o crescimento dos países deixou de ter ?aquele brilho?. Isso vale até para a China, que vê sua economia expandir em taxas nada desprezíveis de 7,8% – que, mesmo assim, representa o menor desempenho desde 1999. O que seria, então, do Brasil, que no ano passado queria crescer acima dos 2% e viu o resultado ficar na casa do 1%?
A ideia de um bloco de países emergentes, de certa forma, movia determinadas engrenagens. O Brasil, especificamente, se alavancava bem no fato de integrar essa sigla para atrair investimento. E, realmente, muitas empresas olhavam para cá (lembra do Cristo Redentor decolando na capa da The Economist?) como uma espécie de porto de esperanças para manter seus ritmos de crescimento e reverter o desempenho fraco de uma Europa em crise.
Tsunamis e marolas
Vivemos tempos de ondas e todo mundo quer surfar a próxima. Se até o ano passado a vedete era os Brics, parece que a próxima grande tendência econômica foi batizada de os “Próximos 11”, lista que traz nomes como México, Nigéria, Paquistão, Filipinas e Turquia.
Agora chega a hora de parafrasear o ex-Beatle: será que o sonho acabou? Que reflexos uma possível dissolução dos Brics traz ao mercado brasileiro de tecnologia da informação?
?Não vejo nenhuma consequência nessa dissolução?, escreve Anderson Figueiredo, líder de pesquisa e consultoria na IDC, incitado a comentar o assunto por CRN Brasil, sinalizando que cada país do bloco tem características próprias e distintas.
Ele prossegue: ?A Índia destaca-se pela exportação de software e serviços; por outro lado o Brasil apoia-se quase que exclusivamente no mercado interno e a China, como em todos os segmentos da economia tem investido valores astronômicos em seu mercado interno, em especial em hardware, uma vez que ainda é um mercado muito imaturo e precisa construir sua infraestrutura de TI?. Figueiredo salienta, ainda, que não há uma visão clara do mercado russo.
?Acho que um problema ainda pequeno, mas que pode ser mais relevante na questão de receitas (redução?) é a migração de serviços para o México, que vimos se iniciar no ano de 2012 e que parece continuará em 2013?, aponta, pontuando que esse movimento ?ainda? se baseia em números pequenos.
Ano dos primeiros grandes projetos de nuvem
Na avaliação de Figueiredo, apesar da redução ocorrida nos últimos meses de 2012, devido à redução da atividade econômica no Brasil, o mercado de TI teve um resultado superpositivo, com crescimento da ordem de 18,1% (se incluirmos as receitas referentes a smartphones e tablets) ou 12,5% se retirarmos esses dois itens do cálculo final.
Para 2013, a empresa que analisa o mercado local projeta um crescimento das receitas com TI em cerca de 11,5% ou 8,4%, se retiradas as receitas com smartphones e tablets. Segundo o especialista, players de software estão bem confortáveis com as perspectivas, os provedores de serviços falam em números próximos, mas um pouco abaixo, enquanto os fornecedores de equipamentos corporativos (servidores e storage) apontam números mais baixos. Lembrando que os percentuais referem-se à TI consolidada.
Nos próximos meses o especialista acredita que começarão a acontecer os primeiros grandes (e reais) negócios com cloud computing. ?Os provedores estão com boas ofertas, os potenciais compradores já entenderam o modelo de negócios e tem uma visão bem mais clara de como computação em nuvem pode atender as suas necessidades, alinhadas às estratégias de negócios de suas empresas? comenta, para concluir: ?Appliances também terão um grande destaque, movidos pela combinação big data/analytics?.
Redação
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Pamela Sousa
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