É senso comum que a mobilidade é tema de ordem na lista de prioridades dos profissionais de TI e empresas, de um modo geral. Neste cenário, o Instituto Eldorado lançou no início deste mês um software voltado especificamente para esse nicho de mercado. Chamado Acesso Fácil, o produto atua em três frentes: criação de lojas de aplicativos para a chamada internet das coisas ou dispositivos comuns a este fim; geolocalização de dispositivos para segmentação de propaganda; e gestão de ativos móveis das empresas.
Apenas a título de contexto, com cerca de R$ 100 milhões de faturamento anual, o Instituto Eldorado possui 500 profissionais e atua como centro de excelência da Microsoft, tendo, além da fabricante de softwares, clientes como a divisão de informática da Semp Toshiba (STI), Motorola Mobility, Dell, Nokia, entre outros. ?Trabalhamos com distribuição de conteúdo digital. A proposta é levar esse conteúdo diretamente ao usuário final?, explicou o gerente de Pesquisa e Desenvolvimento do instituto, Marcelo Henrique de Souza.
Neste processo, de um lado, está o cliente: uma empresa que contrata a plataforma para fornecer determinado serviço a um público específico. Do outro, tem o usuário do cliente, que recebe esse ?material?. O Instituto Eldorado, portanto, é um intermediário do processo e provedor de uma plataforma pronta de tecnologia. ?Foi uma forma que encontramos de rentabilizar o instituto?, justificou.
Toda a tecnologia é baseada em Firmware Over The Air (Identificação por meio do ar, ou Fota, da sigla em inglês). O produto é vendido tanto via software como serviço (Saas, da sigla em inglês) quanto em licenças. O instituto pode tanto se responsabilizar pela produção dos aplicativos específicos quanto apenas fazer a ligação deles na App Store das empresas.
Internet das coisas
Então vamos aos detalhamentos. O primeiro deles a ser citado no primeiro parágrafo desta notícia ? criação de loja de aplicativos para internet das coisas ou dispositivos comuns ? funciona com base na concessão de conteúdo específico para qualquer sorte de dispositivo, a proposta é focar no segmento de TVs inteligentes, as chamadas Smart TVs, itens que estão mais avançados no processo de internet das coisas. Por meio da identificação do tipo de dispositivo por acesso ao seu IP ? se valendo de uma base de dados completa com modelos, configurações de diversos itens do tipo ? o software com base em nuvem fornece conteúdo específico àquele tipo de dispositivo.
?Posso capturar a API de qualquer dispositivo e oferecer ao usuário uma loja virtual, criada sob demanda de um outro cliente, com conteúdos específicos?. Supondo que o item seja uma televisão, o conteúdo direcionado ao usuário ? filmes, por exemplo ? serão apresentados em uma configuração específica para o tamanho da tela. Se for um celular ou tablet, mais uma adaptação na apresentação. Sendo uma geladeira, por exemplo, o eletrodoméstico pode fornecedor receitas de bolos, tortas, pratos, entre outros.
?Consigo definir conteúdo para o device, se é um tablet single touch eu vou mandar App Store single touch. Se for multitouch, consigo identificar o device, a plataforma e mandar conteúdo adequado, ou seja, multitouch. Se é um carro, consigo mandar conteúdo para o carro ? como alerta de radares de velocidade, por exemplo. E assim por diante?, detalhou.
Publicidade direcionada
A outra oportunidade é publicidade direcionada. Neste caso, a companhia identifica, quando o dispositivo móvel – como celular, tablet ou notebook ? se conecta à internet, qual a sua localização. Então, se determinado usuário está no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, é possível identificar sua localização. Se uma locadora de carros entender que ele é um cliente em potencial, envia oferecer uma promoção informações específicas sobre seu serviço;
?Neste caso, é possível avaliar o contexto da situação na qual a pessoa está inserida. Neste exemplo do Rio de Janeiro, na época da Copa do Mundo, consigo mandar conteúdo específico, falar um pouco da cidade, de seus pontos turísticos. Posso, ainda, produzir um fundo específico para a leitura de um livro ou gibi ? colocando, neste caso, uma imagem do Cristo Redentor ao fundo?, esclareceu.
Neste caso, é preciso que o usuário ou compre o aparelho com um localizador da empresa ou aceite fazer o download por meio da oferta de um serviço diretamente do contratante da publicidade. ?Preciso colocar uma semente no device. Trabalhamos hoje com alguns clientes, a Semp Toshiba é um deles. Sua loja oferece aplicações, games, acesso à loja da STI. Todos os devices que saem de lá, vão com uma aplicação que permite o acesso a esse servidor?, disse.
Gestão dos ativos
A mesma lógica que vale para a personalização de loja de aplicativos conforme o dispositivo utilizado e que garante o envio de publicidade específica, de acordo com a localização do usuário ? a identificação do IP ? permite que ativos das empresas sejam geridos por meio do software.
Já que todos os dispositivos que saem da STI vêm com a tecnologia embarcada, é possível garantir a atualização de softwares e drivers do equipamento, sem que o usuário precise fazer qualquer coisa. ?O que o sistema faz é perguntar e dar a ele a opção de fazer, ou não, a atualização. Dependendo do caso, na gestão de ativos corporativos com supervisão do departamento de TI, isso nem é necessário?, adicionou.
Se, por exemplo, a rede de dispositivos da empresa utiliza o Android 2.2 como sistema operacional é possível atualizar para a versão 4.0 caso seja de interesse do CIO. ?Os alunos da Universidade Estácio de Sá recebem um tablet com Android da instituição. São mais de 30 mil estudantes com tablets, cuja gestão é feita por meio da Fota. É possível, por exemplo, disponibilizar um aplicativo com as funcionalidades da calculadora HP 12C.
?Tem um monte de pessoas gerando conteúdo e empresas montando equipamentos. Falta o integrador. Equipamento por equipamento é commodity. A diferença é o conteúdo?, finalizou.
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