Em 2014, os investimentos em TI no Brasil somaram US$ 60 bilhões, pequeno declínio em relação aos anos anteriores, mas com aumento de 6,7% em comparação com o ano anterior, quando somou US$ 61,6 bilhões. Os dados são do levantamento anual da Associação Brasileira das Empresas de Software (Abes), realizado pela consultoria IDC.
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Ao observar outras economias, de acordo com a Abes, ainda assim, o País destaca-se em relação à média de expansão mundial que foi de 4,04%. Globalmente, o investimento total em TI foi de US$ 2,09 trilhões.
Dessa forma, o Brasil manteve a sétima posição no ranking mundial de investimentos de TI e líder entre os países latino-americanos, com 46% de participação na região e 3% do mercado mundial de TI. Os Estados Unidos continuam no topo da lista, responsáveis por 32% dos investimentos. Em seguida estão China e Japão.
Telecom movimentou pouco mais de US$ 98 bilhões no mercado doméstico e considerado o setor, o Brasil sobe para a quinta posição geral em investimentos em TIC, que em todo o mundo soma US$ 3,7 trilhões.
Segundo os dados, o mercado nacional de TI, que inclui hardware, software e serviços, representou 2,6% do PIB brasileiro. Do valor total, US$ 13,8 bilhões vieram do mercado de serviços e US$ 11,4 bilhões do segmento de software, somando 40% do mercado, deixando a maior fatia para hardware.
O setor de software teve salto de 12,8% em comparação com o ano anterior. Já o segmento de serviços apresentou expansão de 7,3%. Juntos, software e serviços obtiveram expansão de 9,7%, acima dos demais setores da economia. O levantamento também mapeou a atualização de softwares em computadores. O salto nesse segmento foi de 19,1%.
No quesito hardware, Luciano Ramos, coordenador de Pesquisa de Software na IDC, observa desaceleração tanto no mundo corporativo quanto no de consumo, que inclui tablets, smartphones e notebooks. “O que veremos em hardware é a aceleração da taxa de substituições em diversos segmentos. Teremos uma base instalada significativa saindo de cena para dar lugar a novos equipamentos. Outro fenômeno é o aumento da capacidade computacional de máquinas servidores”, pontua.
Melhor distribuição regional
Em relação às regiões e o investimento em TI, o Sudeste continua liderando a maior parte com 69,67%, seguido por Sul com 14,53%, Centro-Oeste com 10,92%, Nordeste com 10,11% e Norte com 3,77%. Interessante notar que enquanto as regiões Norte, Nordeste e Sul investem a maior parte do budget em hardware, Centro-Oeste e Sudeste direcionam as atenções para serviços. Sobre os usuários dos softwares, 59% estão nos setores de finanças, serviços, telecom e comércio. Em quinto lugar está o governo.
A distribuição entre as regiões, pontua Jorge Sukarie, presidente-executivo da Abes, foi muito semelhante nos últimos dois anos. “A participação da Região Sudeste, no entanto, vem caindo, o que é bom já que passamos a ter uma distribuição melhor”, observa.
O estudo identificou mais de 12,6 mil empresas dedicadas ao desenvolvimento, produção e distribuição de software e de prestação de serviços no mercado nacional, sendo 55% dessas companhias dedicadas especialmente ao desenvolvimento e produção de software ou prestação de serviços. Das que atuam na produção de software, 93% são classificados como micro e pequenos negócios. Os aplicativos foram responsáveis por 44,1% dos das produções. Grande parte dos softwares desenvolvidos no ano passado (75,5%) vieram do exterior.
O que reserva o próximo ano?
Na previsão da IDC e da Abes, o crescimento mundial de TI será de 3,43%. “Haverá retração, mas o Brasil continua entre os dez apesar dos desafios. Acredito que vamos ter nos próximos três a cinco anos uma evolução tecnológica ainda mais rápida do que nos últimos anos”, afirma.
Sukarie relata que o cenário é animador, independentemente da situação financeira atual. “O Brasil continua sendo uma das maiores potências do mundo. Estamos em um momento difícil, mas logo isso ficará para trás”, assinala.
Para Ramos, o Brasil continua avançando de forma que ele considera saudável. “A IDC acredita que o setor de TI vai crescer com base na terceira plataforma, que reúne cloud, mobilidade, big data e social”, aponta, completando que mesmo com o PIB negativo, os negócios têm entendido que software é gerador de diferencial competitivo e traz mudança substanciais nos modelos de negócios.