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BNDES destina R$ 20 mi para criação de chip usado em gado

A diretoria do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou dois financiamentos no âmbito do Fundo Tecnológico (Funtec), voltados para inovação no setor agropecuário.

Um deles, de 18,1 milhões de reais, é destinado ao Centro de Excelência em Tecnologia Eletrônica Avançada (Ceitec), em Porto Alegre (RS). Os recursos serão aplicados no desenvolvimento de sistema de identificação por rádio freqüência para rastreamento bovino.

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O outro financiamento do BNDES no âmbito do Funtec, de 1,7 milhão de reais, foi para a Fundação Universidade Regional de Blumenau (FURB), com o objetivo de produzir software livre para a gestão de agronegócios de pequeno porte.

O projeto do Rio Grande do Sul prevê o desenvolvimento e a fabricação do chip de identificação eletrônica para rastreabilidade bovina e investimentos na complementação da primeira linha de produção brasileira para a fabricação de semicondutores (chips) para esta finalidade.  A operação apoiada pelo BNDES fortalecerá dois segmentos estratégicos para o país: semicondutores e agronegócio.

Rastreabilidade é um processo para o acompanhamento de todos os eventos e movimentações na vida do animal, do nascimento ao abate. A crise da “doença da vaca louca” e surtos de febre aftosa afetaram gravemente o comércio e reafirmaram a necessidade das empresas brasileiras de melhorar os métodos de rastreamento de animais vivos. Deste modo, o país poderá fornecer ao consumidor carne com garantia de qualidade e segurança alimentar.

O financiamento ao Ceitec corresponderá a 89,3% do custo total do projeto, de 20,3 milhões de reais. O apoio do BNDES permitirá que o país obtenha experiência e domínio sobre a tecnologia de manufatura de chips para rastreamento, uma vez que se trata da difusão do primeiro circuito integrado no Brasil.

O projeto representa um passo significativo em direção ao avanço do país na indústria de semicondutores, permitindo que seu produto final possa competir internacionalmente.

Pela primeira vez o Brasil produzirá chips com tecnologias de 0,6
mícron (1  mícron  equivale  a 1 milésimo de milímetro). Essa tecnologia permite a fabricação de chips com complexidades similares a de um Pentium I, permitindo ampla gama de aplicações no setor eletroeletrônico.

Até o momento, os componentes eletroeletrônicos utilizados no sistema de identificação eletrônica para rastreabilidade são importados, com alto custo para o produtor brasileiro.

Além de permitir a substituição das importações, o projeto do Ceitec, apoiado pelo BNDES, integrará conhecimento gerado nas universidades e centros de excelência com as empresas, formando mão-de-obra altamente qualificada no Brasil e estimulando a pesquisa em microeletrônica e em tecnologias de radiofreqüência.

O mesmo deve ocorrer no segmento de software voltado para rastreamento bovino, graças à realização do projeto da FURB. Os investimentos prevêem a criação de interfaces de comunicação aplicáveis ao software livre e a uma gerenciadora de rebanhos que vem sendo desenvolvida em parceria com o grupo Megaflex, de Florianópolis, (SC). O objetivo do projeto é permitir a comercialização de solução de manejo e rastreabilidade bovina.

Os investimentos promoverão a competitividade do setor agropecuário  brasileiro, com adequação às regras de exportações e adaptação às normas internacionais para o comércio no setor agropecuário. Além disso, têm potencial de difusão da inovação por meio de outras empresas nacionais.

Outro mérito do projeto está na possível adaptação do chip para outros usos, como por exemplo, nos pára-brisas de automóveis. A demanda global de radiofreqüência móvel apresenta expectativa de crescimento de 26,9 bilhões de dólares em 2007 para 701 bilhões de dólares em 2010.

++++
Embora complementares, os projetos do Funtec do Ceitec e da Furb podem coexistir de maneira independente, uma vez que a solução da Furb pode utilizar o chip de radiofreqüência importado na ausência de similar nacional.

Mas, visando a oportunidade de aumentar o percentual de nacionalização de rastreamento bovino e de reduzir seu risco cambial, a Megaflex firmou parceria com o Ceitec para fornecimento futuro de tais componentes.

A iniciativa das empresas é complementar, mas elas não firmaram termo de exclusividade na comercialização do chip e de brincos para animais, o que é salutar para a concorrência do mercado.

Com o acordo, o chip sairá da fábrica com numeração seqüencial e memória de gravação única. Posteriormente, será armazenado o número Sisbov (Sistema Brasileiro de Identificação e Certificação de Origem Bovina) do animal, que estaria gravado em um brinco.

Os animais registrados no Sisbov possuem documento de identificação com a propriedade de origem, mês do nascimento, sexo, sistema de criação, alimentação e dados sanitários.

A adesão ao Sisbov é voluntária para os produtores rurais, mas será obrigatória no caso de comercialização de carne bovina para mercados que exijam rastreabilidade, como, por exemplo, o europeu.

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marina.pita
18 anos ago

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