Competência 3: Criatividade e comunicação
O primeiro ponto desta competência, a criatividade, pode ser traduzido como já tantas vezes propagada “capacidade de pensar fora da caixa”. Refletir a respeito dos problemas enfrentados pela organização e a partir daí ser capaz de pensar em soluções inovadoras. Mas, é claro, há obstáculos para isso não só nas estruturas organizacionais, mas na própria cultura.
“A criatividade vai exigir que de alguma forma tenhamos respeito por uma coisa que não costumamos ter, que é o princípio do acerto e do erro. Parte da ideia de que existem erros. Se vamos fazer uma experiência criativa dentro da organização, há uma certa possibilidade de fracasso que precisa ser contada”, ponderou Vecina. “Temos que aprender a aceitar o erro e considerar sua possibilidade quando pensamos em uma nova ação.”
Outro ponto fundamental para estimular a criatividade é a comunicação. Em uma organização cujo processo de decisão seja descendente, ou seja, partem única e exclusivamente de cima para baixo, perde-se muito com ideias vindas de outros pontos da estrutura. Comunicação em matriz (ou híbrida) ou holográfica (em que as áreas se falam de acordo com cada processo ou atividade) podem ser saídas, mas mesmo elas exigem cuidado.
“Quanto mais vertical o processo, menos criatividade. Mas se libera geral também há riscos”, explicou Vecina. “Temos que realizar tarefas e elas necessitam de comando, por mais participativa que seja a gestão. O projeto de comunicação da organização é vital por este motivo”, concluiu, lembrando que a comunicação nos departamentos de TI replica e se conecta ao esquema da organização toda.
Competência 4: Conhecimento técnico
Conhecer e reconhecer tecnologias é, obviamente, um componente desejável para quem vai liderar a TI de uma organização de Saúde. Nisto o CIO difere de outros gestores – muito embora médicos e enfermeiros já tenham gerenciado com sucesso estas áreas. “Vi isso acontecer e os resultados não são tão ruins, mas há uma sopa de letrinhas que só vocês dominam”, disse Vecina aos muitos técnicos presentes no seminário da ABCIS.
O superintendente do Sírio-Libanês fez questão, no entanto, que mais do que conhecer letras é necessário entender que a tecnologia nos hospitais são conexas, ou seja, conversam (ou deveriam) entre si. Assim, telefonia IP, PEP, HIS, PACS e CFTV, entre tantas outras tecnologias cada vez mais fundamentais, servem ao mesmo propósito: o paciente.
Competência 5: Capacidade de estabelecer limites
Talvez esta seja a competência mais complexa. Muito embora os profissionais de TI gostem de dizer que existe solução para qualquer demanda de qualquer área da instituição hospitalar, muitas vezes é preciso que haja limites na capacidade da instituição de gerar soluções. É preciso analisar e entender não só os complexos problemas do hospital e dos clientes, mas também das pessoas que ali trabalham.
“Tudo que você perguntar para um profissional de saúde em um processo geral de trabalho é informatizável e customizável. Só que um hospital moderno trabalha com 12 profissionais por leito, e customizar isso é impossível”, ponderou Vecina durante o seminário. “Como fazemos para garantir um ambiente do qual a organização está se beneficiando, atingindo objetivos a um custo adequado?”
Existe, afinal, uma forte pressão vinda de dentro e de fora do negócio para tornar as empresas “digitalmente relevantes, e a percepção de que todos os produtos no futuro serão de TI ou envolverão TI”, explicou Henrique Neves. E isso significa, em termos simples, que o CIO passou da posição tradicional de controlador da TI para a de gerador de receita – o que inclui entrada da organização na internet, no mundo da mobilidade e no Big Data. Mas qual deve ser o ritmo desta entrada?
“O CIO precisa estar focado na relação custo/eficiência em uma indústria cujo portfólio de produtos dobra a cada dois anos, e a pressão sobre novas aquisições é enorme”, explicou Marujo. “Quem não tem conhecimento técnico tem dificuldade em saber o que é importante ou relevante.”
Há, segundo o gestor do Sabará, uma pressão constante do mercado por tecnologias, o que exige do líder de TI um perfil analítico para resistir ao apelo de produtos “certamente muito apetitosos, mas que normalmente demoram para justificar o investimento”.
Competência Bônus: Ser um profissional da área de Saúde
Esta última competência entra como plus, mas não deixa de ser relevante. É importante que o CIO da Saúde não se esqueça de que, em uma instituição da área, fatores humanos e sociais não escapam de uma TI cada vez mais integrada aos objetivos da instituição, e que isto significa lidar com dor, sofrimento e morte.
“Qualquer gestor da Saúde precisa ter compromisso social”, disse Vecina. “Não pode ser um cara frio, tem que ser um cara quente. Essa é a coisa mais difícil de ensinar, mas também se aprende.”