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Artigo: produzir aplicativos HTML5 ou nativos?

Durante os últimos dois anos, o uso de tecnologias web tornou-se mais relevante no mundo do desenvolvimento de aplicações móveis. Empresas e ISVs já não recorrem apenas às ferramentas de desenvolvimento nativo como único recurso para lidar com os requisitos de aplicações móveis. Tecnologias web como HTML5, JavaScript, CSS3 e  frameworks de código aberto, como PhoneGap e jQuery Mobile também estão sendo utilizadas para se chegar ao mundo mobile.

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O surgimento de tecnologias web no mundo do desenvolvimento de aplicações móveis levantou muitas dúvidas entre ISVs e desenvolvedores corporativos: afinal, qual solução fornece os melhores resultados? Quais são as vantagens e desvantagens específicas das abordagens adotadas para construir e distribuir aplicações móveis para múltiplas plataformas? E, o mais importante: quais ferramentas devem ser selecionadas para realizar tal tarefa?

A teoria do “escrever uma vez e distribuir para todos os lugares” possui um apelo muito forte. Esta abordagem não somente permite a utilização de uma única base de código entre múltiplas plataformas móveis, mas também diminui o número de aprendizado de frameworks, linguagens e ferramentas de desenvolvimento. Em última análise, a teoria resulta na aceleração do tempo de criação e no crescimento da oferta de apps móveis no mercado, com a possibilidade de distribuição rápida para múltiplas plataformas. No mercado atual, o ‘escreva uma vez e distribua para qualquer lugar’ é totalmente viável através do desenvolvimento em HTML5, CSS3 e JavaScript.

Recentemente, vimos o que Mark Zuckerberg disse sobre o HTML5 e como ele considera ter errado ao basear a aplicação móvel do Facebook no HTML5 – e agora trabalhando em apps nativas de iOS e Android. Isso nos leva à seguinte questão: qual abordagem de desenvolvimento escolher?

 

Vantagens do HTML5 como solução para o desenvolvimento de apps móveis

 

Vamos começar com a premissa de que a sua equipe de desenvolvimento já está familiarizada com as tecnologias web. Talvez, o principal produto de sua empresa seja uma aplicação web e você precise de uma aplicação móvel que a acompanhe. Sua equipe de desenvolvimento domina HTML5, CSS3 e JavaScript. Familiarizá-los a frameworks como jQuery e PhoneGap demandará menos tempo do que fazer com que aprendam uma nova linguagem, como ObjectiveC, um novo framework – como o Cocoa – e um novo IDE: o Xcode. E aqui estamos falando apenas dos requisitos adicionais relacionados ao iOS. Isso não inclui aprender novas ferramentas e frameworks para Android, BlackBerry e Windows Phone. A solução lógica seria deixar a sua equipe utilizar as habilidades das quais já dispõe para construir a aplicação móvel de sua empresa.

Digamos que você vá construir uma aplicação móvel para o seu website de eventos online. Sua aplicação móvel tem orientação altamente voltada a conteúdo, fornecendo aos usuários detalhes que incluem datas, valores, fotos e vídeos de cada um dos eventos. Também queremos permitir que os usuários localizem eventos próximos de seu local atual; para isso você tira proveito do API de Geolocalização do HTML5 em sua aplicação, fornecendo dados específicos de localidade.

Não é preciso depender de atualizações de conteúdo extremamente rápidas, já que a maior parte das datas dos eventos é definida de modo bastante antecipado, não sendo alterada a cada minuto. Sua aplicação não precisa realizar muitas operações matemáticas, já que você estará apenas acessando aquela pequena subseção de seus dados que é específica da localidade do usuário, sem necessidade de persistência de banco de dados.

Na verdade, considerando que você estará apenas mostrando eventos próximos à localidade do usuário e com uso limitado de dados do cliente, utilizar o armazenamento local do navegador do dispositivo móvel passa a ser uma excelente opção para o armazenamento de dados limitados. A maior parte dos navegadores mais modernos oferece algo entre 5 e 10MB de armazenamento local. Sua interface de usuário provavelmente será bem simples, com eventos sendo mostrados em um mapa, informações gerais do evento, dicas sobre como chegar ao local e venda de entradas.

Obter um aspecto nativo para cada plataforma de destino não é crítico para você e seus usuários, e você opta por desenhar a interface de sua aplicação móvel com o mesmo esquema de cores de seu website ou aplicação web já existentes, ou com um esquema de cores arbitrário que funcione bem entre múltiplas plataformas móveis.

Esta aplicação não foi desenhada para ser essencial à missão, como aquelas usadas por sua equipe de vendas, mas para funcionar como uma extensão de seu website ou aplicação web já existentes. É provável que sua aplicação não se baseie fortemente em APIs de plataforma, mas pode permitir que os usuários compartilhem suas localizações com amigos através de APIs de website de rede social, ou pode, ainda, fornecer acesso básico ao hardware do dispositivo (inclusive câmera), permitindo que os usuários postem fotos de seus eventos para que seus amigos vejam.

A aplicação resultante pode ser compilada e distribuída para múltiplas plataformas e dispositivos, ou carregada em um servidor web, atendendo a um público ainda maior de usuários, que acessarão sua aplicação móvel através do navegador de seus telefones ou tablets no formato de uma aplicação ‘m.dot’.

 

Desvantagens do HTML5 – Quando o Nativo passa a ser a melhor opção

 

Para aplicações cruciais que precisam de desempenho excepcional, o desenvolvimento nativo é a melhor opção.

Digamos que você seja uma grande empresa financeira que precisa ser capaz de, rapidamente, municiar sua equipe de vendas com um volume significativo de dados. Sua equipe é formada por corretores hipotecários que trabalham em campo e precisam de acesso instantâneo aos dados dos clientes, sendo capazes, inclusive, de adicionar novos clientes no sistema.

Essa necessidade inclui altos requisitos de processamento para a realização de complexos cálculos – no dispositivo, na app – que determinem o valor do empréstimo, enviem os pedidos de crédito para aprovação, dentre outras funções. A interface de usuário deve ser não apenas intuitiva para seus empregados em seus dispositivos iOS, mas também altamente capaz de resposta, o que inclui possibilitar a rolagem dos formulários, o processamento de dados e a navegação pela aplicação de modo extremamente rápido.

É preciso tirar o máximo proveito do banco de dados, tanto os embutidos nos dispositivos quanto no servidor, com suporte ‘briefcase’ para o caso de seus colaboradores estarem em locais remotos, sem acesso à internet. Esta aplicação não é apenas uma ferramenta importante para a sua equipe, mas também essencial para o sucesso de sua empresa.

Sua primeira e principal preocupação não diz respeito a aproveitar as habilidades de desenvolvimento web existentes, mas sim em ser capaz de oferecer à sua equipe uma aplicação poderosa, que permita que ela realize seu trabalho com um diferencial competitivo. Sua preocupação maior não recai sobre os custos ou o tempo, mas com as capacidades gerais da aplicação resultante.

É necessário viabilizar acesso a vários APIs de plataforma, incluindo notas de crédito, dados dos clientes e visualização instantânea de registros de vendas de locais específicos a partir de sites imobiliários, e etc. Esta aplicação não poderá ser distribuída para o servidor e acessada por um navegador web, mas isso não é relevante para seu negócio, já que a aplicação está sendo distribuída internamente em sua corporação no padrão iOS ou Android, não sendo relevante ter a capacidade de distribuição para múltiplas plataformas móveis.

*Sarina DuPont, gerente de produto RAD Studio na Embarcadero Technology

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Editorial IT Forum 365
14 anos ago

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