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Do arcade ao metaverso: games, dados e o futuro corporativo

Imagem: Shutterstock

Minhas conversas de negócios são centradas em dados, lógico. Mas esse papo fica muito mais divertido quando começo a explicar como os dados podem transformar nossas vidas, como alimentam a criatividade, a inovação e o entretenimento.

Historicamente, desde que um físico inventou o primeiro jogo em 1958, os videogames se tornaram campos de testes e uma vitrine para a tecnologia. Hoje, os games estão na vanguarda das tecnologias emergentes, como IA, blockchain, realidade virtual e wearables. E quem está por trás dessa mágica? Um imenso volume de dados e a capacidade de analisá-los.

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Vamos relembrar alguns games nessa rápida jornada nostálgica que nos mostrará o quão longe eles chegaram e provar que ainda há muitas fases pela frente.

O ambiente é virtual, mas jogos são sociais

Videogames e reunião com amigos sempre andaram de mãos dadas. O que começou como um ponto de encontro – em locadoras ou fliperamas – se transformou em consoles e computadores pessoais. Hoje, podemos jogar em qualquer lugar em diferentes plataformas, até no celular e com pessoas do mundo inteiro.

Leia mais: Games crescem em importância no Brasil para grandes fabricantes de tecnologia

Além disso, os próprios jogos evoluíram para se tornarem “experiências”, abrindo caminho para o metaverso e as comunidades online da Web 3.0. Não é mais apenas jogar – trata-se de envolvimento imersivo, oportunidades de monetização e eventos, incluindo gigantescas competições. Oferecer as mesmas experiências em tempo real para milhões de jogadores online em um determinado momento requer latência e confiabilidade fenomenais.

Transformação no comportamento de compra

Desde esperar na fila com dinheiro em mãos que foi economizado para comprar cartuchos, até a compra de jogos a um clique, vale lembrar que não mudou só a forma como compramos esse entretenimento. Os jogos se tornaram suas próprias economias prósperas.

Hoje, a economia baseada em assinaturas está em toda parte, como o Game Pass, opção na qual você paga uma mensalidade e pode baixar e jogar qualquer título. É o consumo como serviço, do qual falamos o tempo todo na tecnologia e no mundo do storage.

Não depender mais de cartuchos também significa que você não precisa mais se preocupar com armazenamento físico, manutenção e investimento em jogos que você não vai mais usar. O streaming baseado em nuvem, por exemplo, elimina a necessidade até do download, economizando armazenamento do dispositivo. A “caixa” se torna um mecanismo de transporte e todo o processamento ocorre na nuvem.

Jogos modernos: excelência em efeitos visuais

Não é possível mensurar o quão longe os jogos chegaram em termos de desempenho e gráficos. Melhorias técnicas, como poder de processamento, mecanismos gráficos, jogabilidade preditiva e aleatória, são recursos que atingiram um nível surreal.

Nos anos 80, o fliperama era a melhor opção. Os jogos pareciam melhores nessa plataforma. Então, com o tempo, os consoles foram evoluindo. A partir daí, as pessoas podiam jogar em casa e ter uma experiência tão boa quanto nas grandes máquinas arcade.

E as coisas continuaram evoluindo. Passamos por 8, 16 a 32 bits e em algum momento os bits deixaram de ser uma questão a ser discutida, porque os mecanismos de renderização e GPUs transformaram os efeitos visuais em espetáculos gráficos, mesmo para os amantes dos jogos retrô pixelados.

Nos bastidores, a experiência do jogador também melhorou

Mundos hiper-realistas à parte, qualquer entusiasta de videogames vai concordar que poder salvar o progresso de um jogo ainda é a maior vitória em termos de melhorias. Isso foi transformador. Com o NES, por exemplo, não existia essa opção. Ao desligar o console, tudo estava acabado e ao jogar de novo precisava começar do zero (com exceção de alguns jogos que continham cheat codes). E poder continuar o jogo exatamente de onde parou só é possível porque os dados ficam gravados.

A jogabilidade e a competição também são mais sofisticadas. Costumávamos espiar outros jogadores para avaliar suas habilidades. Agora, a IA e a análise de dados podem combinar suas informações com as de jogadores com habilidades semelhantes, enquanto apps que auxiliam com diversas dicas, como o aplicativo Professor.gg, coletam dados para lhe dar uma ideia dos jogadores que você está enfrentando em partidas online.

NFTs e monetização

A fase da fila com dinheiro em mãos para comprar cartuchos é tão retrô que muitos talvez nem tenham vivido essa época. Hoje, a receita é gerada muito depois da compra inicial com micro transações, como ativos e atualizações no jogo. Por outro lado, os jogadores podem ganhar dinheiro no mundo real com modelos play-to-earn, usando carteiras virtuais para que os ativos possam ser transferidos entre os jogos.

No caso de The Legend of Zelda, por exemplo, o primeiro título de uma série de jogos criada pela Nintendo em 1986, se você ganhasse uma espada seria impossível transferir para outro jogo, como Mario Bros. Mas com NFTs (tokens não fungíveis) em jogos modernos, quando você compra um ativo no jogo, ele é seu e você pode guardar em sua coleção para usar em outros jogos.

Os dados estão impulsionando o futuro da jogabilidade e do desenvolvimento de jogos

Videogames e dados caminham juntos. Hoje, isso não é só um papo de bits e bytes – estamos falando em petabytes e como distribuir rapidamente esses dados em escala global.

Quanto maior a largura de banda, mais dados será possível enviar. Quanto mais informações puder acessar, melhores serão as experiências em tempo real que permitem mudar o jogo de forma quase instantânea. E os dados continuarão a tornar os jogos incrivelmente responsivos e personalizados.

Isso requer uma infraestrutura de dados poderosa. Muitos jogos utilizam contêineres, que permitem atualização de módulos e reparo de bugs em tempo real. Na época dos consoles e cartuchos, era necessário tirar os chips e colocar novos. Além do trabalho, gerava custos.

Hoje é possível enviar jogos para testes que sequer estão tecnicamente finalizados. É possível fazer uma atualização do dia zero ou dia um e corrigir algum bug antes mesmo que alguém jogue, isso a partir de uma conexão em tempo real que baixa essa atualização.

O que o futuro guarda?

A evolução dos jogos é um microcosmo perfeito da evolução da tecnologia e da computação. Se você assistir alguns dos documentários sobre tecnologia em geral, muitos começam com jogos. Mas para onde vão as coisas a partir daqui?

Realidade aumentada, realidade virtual, estamos vivendo agora em um imenso fliperama virtual, e os jogos podem ser o campo perfeito para testar como essas tecnologias podem funcionar da melhor forma em nosso dia a dia, para muito além do entretenimento.

Se nos anos 80 jamais imaginávamos que videogame se tornaria uma indústria bilionária que abre portas para a inovação tecnológica em praticamente todos os outros mercados, a única certeza do futuro é que os dados ainda podem fazer muito mais para transformar nossas vidas.

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Published by
Redação
Tags: dadosgamesjogosmetaverso
3 anos ago

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