Não é novidade para ninguém que, de forma geral, os CIOs não possuem um sucessor, mesmo sabendo que sua função é fundamental para o bom andamento da companhia. O problema é que isso afeta todas as áreas de forma geral. É comum encontrar no mercado grandes empresas que gostariam de substituir seu CEO ou CFO e não possuem ninguém interno porque não houve uma preocupação anterior com isso. A tendência é que isso mude, como acredita André Correa, que deixou o cargo de CIO da AGCO. Ele contou à InformationWeek Brasil que trabalha na abertura de uma empresa para prestar consultoria e, assim, ter um ritmo de trabalho menos intenso. O executivo compartilhou também sua experiência na busca de um profissional para sucedê-lo.
InformationWeek Brasil – Como foi o processo de sucessão? Até porque este é sempre um tema complicado na área de TI.
André Correa – Na realidade, planejei que 2012 seria meu último ano de trabalho como CIO. Eu tinha muita demanda familiar para baixar o ritmo e eu dizia para minha mulher que o ritmo não era meu, era da posição e que só poderia baixar o ritmo quando saísse da posição. Então, ao final de 2008, conversamos (internamente na AGCO) e decidimos que 2012 seria o último ano e passamos a buscar um sucessor.
Como mostra pesquisa (Antes da TI, a Estratégia, da IT Mídia) em 95% das empresas o CIO não consegue fazer seu sucessor. Eu não tinha em casa e fomos ao mercado, em 2009, buscar alguém para poder formar e virar o sucessor. Em 2010 trouxemos uma pessoa que ficou até 2011 e não deu certo. Em setembro de 2011 eu não tinha mais sucessor. Fomos novamente ao mercado buscar alguém, porque minha saída em 2012 estava condicionada a ter uma pessoa. Agora conseguimos e estou podendo sair. Iniciei a transição no final de abril e terminei na primeira semana de maio.
IWB – Essa pessoa vem de mercado?
Correa – Sim, o escolhido foi Felipe Soares, que era da Dell, eu não o conhecia, porque como a Dell era fornecedora o Felipe não podia participar do nosso grupo de CIOs (do Rio Grande do Sul), mas gostei muito dele, trabalhamos bem juntos. Na reunião global, em Budapeste, passo o bastão oficialmente e volto ao Brasil já de férias.
IWB – Qual a principal dificuldade na busca por um sucessor?
Correa – A dificuldade que tive nesses anos todos, talvez, é a pressão por estar sempre com headcount reduzido. Primeiro temos que dar suporte ao dia a dia e tem que ter pessoas com qualificação técnica suficiente e meu time é muito técnico. Eu não tinha headcount suficiente para trazer alguém com perfil mais de gestão. Consegui criar essa posição para trazer um gestor e iniciamos a questão de formar. Mas não é só em TI, é muito difícil quando tu tens um plano de sucessão, é um monte de quadrinhos e a maior parte está vazia. As empresas agora estão se dando conta disso e passaram a trabalhar, forçar o gestor a indicar um sucessor e, se não tiver, trocar alguém do time por um profissional com perfil mais voltado à gestão.
IWB ? Trabalhar um profissional técnico para que o sucessor seja de casa era muito complicado?
Correa – Às vezes o cara é tão técnico que não tem interesse em ir para gestão. Nosso perfil, em geral, é mais técnico e não de alguém que goste de fazer gestão. Na verdade, você larga TI e vai para outro mundo. Eu nunca tive interesse de sair da minha área, embora tenha relação muito grande com as áreas de negócio, saí do técnico há muitos anos, mas virar negócio vai além. Outra coisa é que na TI você vê a companhia como um todo e nas áreas de negócio você vê um silo. Isso para as pessoas de TI não é das coisas mais legais, perder a visão do todo e poder influenciar a empresa inteira.
IWB – Essa é uma capacidade que vocês têm e alguns não conseguem usar bem..
Correa – O espaço está lá, mas muitos não conseguem ocupar o espaço e acabam sendo substituídos. Temos visto no mercado muitos CIOs sendo substituídos e justamente por isso, por não conseguir sair do casulo da tecnologia e incorporar a parte de negócio junto.
IWB – Como vai ser essa virada para consultoria? Será um ritmo mais lento mesmo?
Correa – Na realidade eu tenho mais dois colegas que fizeram essa virada e montaram suas empresas, eu estou montando a minha e a ideia é que a gente vá ajudar no aconselhamento de gestores de TI e aconselhamento de CEOs com relação à TI de empresas menores, até porque, as grandes não precisam desse tipo de ajuda. Mas empresas menores que não têm condições de ter pessoas com a mesma exposição e recursos para aprender tudo o que aprendemos e ajudar essa companhia a ter uma área de TI mais bem organizada e com mais resultados.
E como consultoria a gente pode delimitar um espaço melhor de trabalho, reservar alguns dias e ter finais de semana maiores. No ritmo, uma coisa importante é reduzir o número de viagens muito longas. A ideia é trabalhar o Rio Grande do Sul, teremos viagens, mas mais curtas e prazerosas.
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