Uma TI distribuída, focada em área de negócio e projetos, em 14 times globais de TI. Pode até soar eficiente para uma grande multinacional, mas essa é a estrutura que, em breve, fará parte do passado da AkzoNobel, fabricante de especialidades químicas, tintas e revestimentos. A companhia holandesa começa sua grande reestruturação de negócio para unificar o departamento de TI em um departamento compartilhado, a fim de prover mais oportunidades de negócio para a empresa como um todo e, claro, alcançar ainda mais eficiência.
E a grande mudança começa neste semestre na subsidiária brasileira, antes de acontecer o roll out para outras unidades mundiais, previsto para o segundo semestre. ?Temos uma enorme agenda para os próximos meses, que vem de um longo histórico de aquisições. Sempre tivemos infraestrutura diversas, diferentes sistemas, e estou trabalhando para eliminar tudo isso e alcançar maior eficência?, conta o CIO da AkzoNobel, Pieter Schoehuijs. Um exemplo prático é o número de sistemas ERPs rodando quando ele assumiu a posição: 185. Apesar da dramática redução já alcançada, a meta ? parte da estratégia de compartilhamento e unificação ? é chegar a seis.
O executivo conta que a cultura corporativa da AkzoNobel no Brasil favoreceu a escolha do país para o piloto. Aqui, o quarto mercado mais importante para a organização, já são utilizadas arquiteturas e equipes compartilhadas com experiência em tecnologias estratégicas, como SAP e serviços de chat, além do trabalho já em andamento da TI com resultados positivos em áreas como Recursos Humanos e o departamento financeiro.
?E os negócios no Brasil são grandes o suficiente para fazer sentido para a empresa como um todo. São quase 3 mil funcionários, em múltiplas localidades?, argumenta o CIO. Há unidades em seis estados, Pernambuco, Bahia, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro e Maranhão, somando 2.900 contratados. O diretor de TI local, à frente do time de 54 profissionais de tecnologia, deve ser nomeado nos próximos meses.
Ter a TI à frente de uma mudança tão profunda na gestão coloca a área como real parte estratégica do negócio. Sobre esse ponto, Schoehuijs salienta que esse nada mais é do que sentido de sua área ? servir o negócio. ?Corríamos o risco de nos alienar dentro de nós mesmos em uma estrutura dividida. Ao unir nossas mil pessoas de TI em uma única equipe global, teremos também melhores oportunidades de carreira para nossos funcionários. Isso é motivador para todo mundo?, relata.
Comunicação é fundamental
Como parte fundamental dessa grande mudança, o CIO esteve no país para comunicar as lideranças e os funcionários, dividir pontos de preocupação entre os executivos e traçar detalhes estratégicos. Ele coloca a comunicação com transparência como essencial para minimizar os receios envolvendo a medida. ?No geral, se você pensar sobre todas as coisas do mundo, qualquer mudança gera resistência. Estamos cientes que haverá pessoas que não vão gostar, ainda mais porque se trata de uma alteração muito grande na gestão da empresa. E por isso é muito importante a comunicação?, salienta.
Além de ferramentas tradicionais de comunicação interna como a intranet, a AkzoNobel conta com o Yammer, da Microsoft, para engajar as equipes e esclarecer pontos de atrito. A aplicação se mostra crucial também porque em março a empresa fará uma conferência com parte dos colaboradores sobre a nova estratégia ? e, claro, nem todos poderão participar.
?Estamos usando o Yammer para fazer as pessoas se sentirem parte e explicando o porquê elas não foram convocadas. Não é segredo?, relata. E quando a gestão tomou a iniciativa de pedir inputs de quem não vai para esse evento por meio da ferramenta, ?de modo que eles também se sintam incluídos?, segundo Schoehuijs, tiveram um ótimo indicador: 200 respostas em um período um pouco maior de uma semana.
Vale ressaltar que a AkzoNobel possui excelentes indicadores de engajamento. Basta observar os números do Yammer. Dos 50 mil funcionários globais, um terço usam ativamente a ferramenta, com 13 mil inscritos nos últimos 18 meses. ?Engajamento não é algo que você empurra obrigando seus funcionários. É difícil, e tem que partir deles?, compartilha o executivo.
E ter a comunicação como centro da reestruturação favorece o compartilhamento de informações e, consequentemente, engajamento. ?Temos que ter a certeza da clareza que comunicamos bem do topo para baixo. Cada líder, cada gerente de unidade de negócio ou grupo, tem boa visibilidade sobre quais serviços ele tem, qual o custo dos serviços, qual o portfólio, quais mudanças do plano. Transparência é fundamental e estamos otimistas sobre os resultados que iremos alcançar aqui no Brasil?, conclui o CIO.
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