Ah, Facebook, por que não consigo lhe largar?

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Ah, Facebook, por que não consigo lhe largar?

Passar seu tempo em mídia social é o hábito moderno que pode ser comparado ao antigo fumar cigarro. Mas se você é um viciado, não se preocupe, não está sozinho. Há um bilhão de pessoas com o mesmo hábito, alimentando o Facebook regularmente com informações superíntimas de suas vidas.

Conforme o mundo observa a rede social de Mark Zuckerberg ir a público, é importante entender que o gigante social é um negócio e deve levantar dinheiro para viver à sua avaliação de US$100 bilhões. No centro disso tudo está você: o usuário. Por trás das páginas bem-projetadas, está um algoritmo inteligente que tem como alvo anúncios para fazer com que você compre coisas. Segundo notícia da CBS, a mídia social consegue 80% de sua receita dessa forma. Isso significa cerca de US$ 4,34 por usuário.

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Toda atualização, toda foto, todo ?curtir?, enfim, toda ação realizada se torna valiosa. Tudo o que você faz é rastreado, então, anunciantes podem prever o que devem vender a você. Como usuário do gigante social, você é o produto.

Claro, a plataforma de propaganda pode não ser assim tão boa. A GM tirou seu anúncio de campanhas de US$ 10 milhões da rede social. Há notícias que 44% dos usuários da mídia social não clicam em anúncios. Mas não sinta pena da empresa.

O gigante de mídia social se tornou adepto em mapear os centros de recompensas de nossos cérebros, nos manipulando a criar mundos online mesmo quando as atividades não são de nosso interesse.

A primeira coisa que faço quando acordo é checar minha página para ver se tenho mensagens ou algum amigo postou algo no mural. A linha de atividade sugere que eles fizeram o mesmo. Por quê? A verificação traz satisfação se as pessoas ?curtiram? alguma foto sua ou comentário.

Quanto mais dados você coloca na sua página, mais o Facebook te conhece. Um artigo recente do New York Times revelou que a loja Target descobriu que uma adolescente estava grávida antes mesmo de seu pai saber. Claro que a rede social de Zuck não é o único problema. Toda grande empresa pode rastrear suas informações. ?O Google sabe mais sobre mim do que minha esposa?, afirmou o especialista em segurança Bruce Schneier. ?Isso é assustador?.

Mas há problemas específicos com o Facebook que os usuários deveriam ter ciência. O especialista em privacidade Ashkan Soltani simpatiza com os viciados na rede social. ?O Facebook é essencialmente o filme ?Brokeback Mountain?. Todo mundo se questiona: ?Por que não consigo parar de assistir???. Mas ele está preocupado com as brechas de segurança que a rede social abre para as empresas. Uma delas é a divulgação acidental de informações corporativas. ?Isso pode ser feito simplesmente ao postar uma foto com o produto ou informação sensível de um segredo comercial. Portanto, não é surpreendente que o ?funcionário comum? revele acidentalmente um novo produto antes de seu lançamento?.

Os apps representam outro risco de segurança. Segundo Rebecca Jeschke, RP da Electronic Frontier Foundation, ?as falhas em app são um grande problema. Não deveria ser permitido que você compartilhasse sua informação com o aplicativo de seu amigo por querer usá-lo?.

Então há o mecanismo social, que é projetado para enganar os usuários e fazê-los disponibilizarem informações para que o invasor tenha acesso ao Facebook. ?O invasor têm informações sobre a vítima que possibilita explorar inúmeros propósitos, incluindo roubo de identidade, revelação de informações pessoais, entre outros?, afirmou Soltani.

Pense sobre o assunto: se o invasor sabe sua cidade, seu animal favorito, seu melhor amigo do colégio, ele terá então acesso a coisas que normalmente não poderia fazer sem essas informações. Inúmeras celebridades tiveram suas contas de e-mail acessadas após um invasor usar esses dados para adivinhar senhas.

Essa forma de compartilhamento não dá apenas muita informação aos invasores, mas também dá aos seus funcionários um vislumbre de sua vida privada. Um funcionário pode saber se você está em casa ou no trabalho, especialmente se você está surfando na internet na rede corporativa.

É fácil entender a privacidade na vida real. Você não diria certas coisas para seus colegas de serviço ouvir, mas muitas pessoas não são cautelosas com sua vida on line.

Enquanto isso, o Facebook se beneficia de nossa indiscrição. Sean Gourley, cofundador da Quid, uma empresa de análise e consultas de dados, fala sobre o poder do algoritmo e como ele manipula as pessoas para consumirem mais. ?Um bilhão de pessoas competem entre si e compartilham informações. Esse é nosso mundo, o mundo que Mark Zuckerberg criou: uma plataforma que coleta o máximo de informações, usando jogos viciantes e algoritmos de venda. Quanto mais você compartilha, mais se projeta e o Facebook ganha mais dinheiro; e mais rico Zuckerberg se torna. Devagar enxergaremos isso?.

Então, da próxima vez que sentir necessidade, pense bem antes de atualizar sua página do Facebook, pense nos riscos profissionais, de segurança para a empresa e nos algoritmos que são usados para fazer com que você compre coisas que não precisa.

Esse é o coração do consumismo. Você ?curte??

Tradução: Alba Milena, especial para o IT Web | Revisão: Thaís Sabatini

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