A tecnologia cada vez mais presente nos CSCs

Modelo de serviços compartilhados visa facilitar a adaptação às mudanças constante do mercado e da tecnologia

Publicado:

Leitura 4 minutos

pedro arruda — Foto: Shutterstock

Diante da necessidade de tornar seus processos de gestão e de back office mais eficientes e fazer frente, muitas empresas passaram a adotar e a investir no Centro de Serviços Compartilhados (CSC). E desde que esse conceito de trabalho, que baseia-se em uma estrutura gerencial que busca eficiência, geração de valor, redução de custo e melhoria nos serviços para clientes internos da empresa, veio à tona, o mercado vem sofrendo rápidas mudanças e evoluções nos últimos tempos.

Qualidade e produtividade no CSC são fundamentais, mas adaptar e se reinventar são as palavras de ordem nesse cenário de transformações. A Pesquisa Global de Serviços Compartilhados 2017, realizada pela consultoria Deloitte com mais de 300 organizações de todo o mundo para compreender os principais desafios dos CSCs a partir de 2018, revela alguns dados bem interessantes.

As melhores notícias de tecnologia B2B
Acompanhe todas as novidades diretamente na sua caixa de entrada

Para um cenário de futuro dos CSCs, 63% das empresas participantes da pesquisa pretendem utilizar robótica nos próximos três a cinco anos, 45% acreditam que o uso de Robótica e Automação de Processos (RPA) entregará até 20% de economia, em média, a seus respectivos negócios e, por fim, as empresas estão procurando novas formas de criar e capturar valor por meio de iniciativas como melhoria contínua, robótica e analytics.

De acordo com outra pesquisa do Grandview Research, o mercado de CSCs registra um CAGR (taxa de crescimento anual composta) médio de 30% nos últimos três anos e deverá se consolidar entre as empresas de grande e médio porte até 2022. Assim, definitivamente, é preciso ter um novo olhar para toda essa transformação que já estamos vivendo e que deverá ser intensificado em curto espaço de tempo.

Os motivos para apostar nesse modelo vão muito além da redução de custos, existe ainda o benefício do conhecimento compartilhado. Veja o caso do setor de Compras, por exemplo. As áreas das empresas demandam a aquisição de diferentes produtos e serviços e, nem sempre, a compra é feita de forma unificada e estruturada. Ao manter essa atribuição ao CSC, todas são realizadas pelo mesmo departamento e time. Logo, é possível planejar o quê e quando comprar – o que facilita a conquista de descontos e outros benefícios da aquisição em larga escala.

Quantos não são os bancos com os quais uma única companhia tem contato? Como ter a visão do todo com agilidade se o time financeiro precisa acessar os extratos de todas as contas corrente? E se não há agilidade, como conseguir tomar decisões estrategicamente acertadas?

Pense no caso dos pagamentos a diversos fornecedores ou na conciliação de todos os recebíveis da companhia. A quantidade de informação que deve ser trabalhada nessas operações é absurda. Fora o tempo dedicado da equipe do financeiro a essas atividades operacionais. Por essas e outras mais é interessante pensar em manter essas tarefas do dia a dia em um CSC.

Nesse cenário, um novo conceito que já está em uso no mercado e que vem com a ideia de revolucionar a forma de aumentar o nível de produtividade das empresas é o conceito de Indústria 4.0, que engloba as principais inovações tecnológicas nas áreas de automação, controle e tecnologia da informação. Com esse modelo, Internet das Coisas e Internet dos Serviços, os processos de produção tendem a se tornar cada vez mais eficazes, autônomos e customizáveis.

O RPA, por sua vez, tem contribuído para o aumento das atividades de forma efetiva a fim de gerar resultados positivos no CSC, ganhando notoriedade como uma alternativa ágil e flexível na automatização de processos. Com ele, as pessoas ficam livres para atuar em serviços que exigem o uso da razão, especialmente ações estratégicas, e de fatores humanos que contribuem para a inovação de qualquer empresa. Ou seja, é uma ferramenta que age na área de automação cognitiva de processos, que utiliza a inteligência artificial (como os chatbots utilizados nos atendimentos) para trazer novas soluções para o mundo empresarial.

Por isso, avalie bem o quanto sua empresa pode ganhar com um CSC. Se seus times dedicam, nem que sejam 20% do tempo a trabalhos operacionais, ele é uma boa aposta. Muitas companhias estão em processo de adaptação, já que trabalhavam com um modelo antigo de produção dos serviços. Mas não se pode parar no tempo, pois a transformação digital é inexorável para que se possa ampliar o desempenho, aumentar o alcance e garantir resultados melhores. Portanto, prepare-se!

*Pedro Arruda é diretor de Vendas Corporativas da Accesstage.

Notícias relacionadas

Ver mais Seta para direita