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A solução para a mobilidade urbana pode estar nos celulares

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Um estudo anual do congestionamento de tráfego realizado pela Tom Tom mostra que Recife, São Paulo e Rio de Janeiro são as três cidades brasileiras com os piores índices. Na capital pernambucana, passa-se em torno de 49 minutos a mais por dia no trânsito do que o necessário. Em um mês, são 18 horas em congestionamentos.

O excesso de trânsito traz resultados negativos para a saúde das pessoas. De acordo com pesquisa da VitalityHealth em parceria com a Universidade de Cambridge, quem passa muitas horas no trânsito todos os dias, independentemente do meio de locomoção que utiliza, está mais propenso a ter stress, depressão, problemas no sono e na produtividade.

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Para combater esses efeitos negativos, muitas cidades estão procurando maneiras de planejar melhorias na infraestrutura de transporte. Não apenas com o aperfeiçoamento das condições das ruas e a criação de mais opções de transporte coletivo, mas também com o uso de tecnologia focada em mobilidade urbana.

Em todo o mundo, no entanto, a tecnologia tem sido subutilizada. Muitas cidades fazem levantamentos sobre seus meios de transporte, mas a maioria das pesquisas se limitam a estudar pequenos recortes de meios de transporte, como, por exemplo, a quantidade de usuários de uma determinada linha, os horários de pico e os locais de embarque e desembarque. Essas informações são importantes, mas não trazem um viés esclarecedor da qualidade do transporte de uma cidade.

É necessário um panorama completo do tráfego de pessoas, o que é um grande desafio para os maiores centros urbanos. Ainda mais em um momento em que muitas cidades possuem modelos mistos e parcerias público-privadas na gestão do transporte público.

Um caso de sucesso interessante é o da Autoridade de Transporte Público de Paris (RATP). Originalmente, ela foi fundada para gerenciar os serviços de ônibus e metrô da capital francesa. No entanto, com a expansão do grupo para outros países, tornou-se necessário planejar os serviços. Para um diagnóstico preciso dos fluxos de passageiros, utilizou-se uma solução que permitiu conhecer melhor os clientes do transporte oferecido, analisando os deslocamentos populacionais em tempo real, a origem geográfica dos usuários e seus comportamentos.

Até o final de 2019, o Brasil terá 420 milhões de aparelhos digitais ativos, incluindo celulares e tablets, de acordo com a Fundação Getúlio Vargas (FGV) de São Paulo. Com os dados coletados destes dispositivos, é possível analisar os fluxos de tráfego em tempo real e o uso das modalidades de transporte, a fim de otimizar a rede e planejar a implementação de novos serviços.

Esse trabalho deve ser feito com responsabilidade, adotando soluções que estejam em conformidade com as leis mundiais de proteção de dados. Informações sigilosas e pessoais não podem fazer parte desta análise, mas apenas os hábitos de mobilidade pertinentes à melhoria do transporte urbano. Tudo isso, inclusive, precisa ser feito com o consentimento dos usuários.

Administrar dados de forma responsável e utilizar as informações para ajudar os provedores de transporte a entender o público e seus hábitos é a melhor maneira de otimizar a mobilidade urbana. Isso traz benefícios para as empresas envolvidas, mas traz principalmente muitas vantagens para a população.

*Por Felipe Stutz, diretor de soluções da Orange Business Services para a América Latina

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Redator
Tags: mobilidade urbanasmartphone
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