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A guerra dos padrões I: a Web e seus padrões

No princípio era o caos

A Internet existe desde os anos cinquenta do século passado. Eu não vou contar aqui mais uma vez esta história já tantas vezes contada. Vou apenas mencionar que em seu início ela era uma rede de computadores, idealizada para uso militar, entregue aos acadêmicos que a administravam e a usavam, sobretudo, para trocar informações e trabalhos científicos. Uma coisa totalmente diferente daquilo que existe hoje.

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Porque hoje existe a Web, e “Web” não é o mesmo que “Internet”.

Se você quer detalhes sobre a diferença, consulte a coluna “A web não vai morrer, viu Elis?” publicada aqui mesmo há alguns meses. Caso, no entanto, se contente com uma explicação mais singela, considere que “Internet” é a rede em si e seus protocolos, o anárquico conjunto de computadores e sistemas que se comunicam e trocam arquivos e informações de acordo com certas regras, enquanto “Web” é um conjunto ainda maior de documentos armazenados nestes servidores e editados no formato “hipertexto”, ou seja, interligados por atalhos (“links“) que permitem saltar de um para outro não importando em que servidor cada um deles está armazenado.

Em suma: simplificando ainda mais, pode-se considerar que a “Internet” é uma estrutura de transporte de informações enquanto a “Web” é o conjunto de informações (“páginas”) nela transportadas.

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A Web deve sua existência a um gênio chamado Tim Berners-Lee. Aliás, e com o devido respeito: Sir Timothy John Berners-Lee. Um engenheiro britânico, professor do Instituto Tecnológico de Massachusetts que, na época, trabalhava no Conselho Europeu para Pesquisa Nuclear, o CERN (Conseil Européen pour la Recherche Nucléaire, afinal um acrônimo que não deriva do inglês). Uma foto sua relativamente recente obtida da Wikimedia Commons é mostrada na figura.

No final dos anos 80 o CERN era o principal nó da Internet na Europa e Berners-Lee estava interessado em facilitar seu uso. E teve a ideia de usar hipertexto para este fim. Por isto, no final de 1989, criou as duas tecnologias nas quais a Web se apoia. A primeira, denominada HTML, permite criar páginas contendo informações (no início, apenas texto) com atalhos que “apontam” para outras páginas também contendo informações. A outra, HTTP, é um meio padronizado de saltar de uma destas páginas para outra usando estes atalhos (que, por isto mesmo, chamam-se “atalhos” ? uma tradução livre da palavra “link” do inglês, que significa “elo”, “enlace”).

A HTML (Hiper Text Markup Language) é uma linguagem de programação muito simples (pelo menos a versão inicial era de uma simplicidade franciscana) para criar páginas da Web. Na verdade é uma “linguagem de marcação” (“Markup Language”) que usa linguagem corrente para fazer com que determinadas palavras ou expressões (e, mais tarde, figuras e mais um monte de coisas) apareçam em destaque, indicando que são atalhos, ou seja, que escondem um código que “aponta” para outra página de mesmo formato. Páginas estas que podem, por sua vez, conter outros atalhos que apontam para outras páginas e assim por diante. Em resumo: cada página é um texto com atalhos que podem levar a outros textos.

Este tipo de texto chama-se “hipertexto”. E neste ponto convém lembrar que quando Berners-Lee recorreu a esta ideia para criar a Web, ela já era velha de quase um quarto de século, posto que o hipertexto foi concebido nos anos sessenta do século passado por Ted Nelson e Douglas Engelbart, outros dois gigantes da história dos computadores. O grande mérito de Berners-Lee foi usá-lo como alicerce da Web.

Mas não adiantaria criar páginas e armazená-las nos servidores que formam a Internet se estes servidores não “soubessem” como saltar de uma página para outra quando se aciona um atalho. Para possibilitar isto é necessário estabelecer regras fixas e fazer com que todos os servidores fiquem cientes delas e as obedeçam. Ou seja, é preciso criar um “protocolo” capaz de fazer com que os servidores “saibam” como transferir documentos em hipertexto.

E este protocolo é justamente o HTTP (Hiper Text Transfer Protocol) ou protocolo de transferência de hipertexto.

O HTTP não interessa ao desenvolvedor nem ao usuário. Interessa apenas aos especialistas em rede. E, desde que foi inventado por Tim Berners-Lee, segue prestando seus serviços de forma eficiente e tranquila. Deixemo-lo em paz que ele não nos incomodará.

Já com a HTML é diferente. Porque o modelo idealizado por Berners-Lee era tão singelo que nem ao menos se preocupava com formatação de texto. No máximo admitia aumentar o tamanho das letras para identificar cabeçalhos. Vídeo? Áudio? Na época, sequer existiam (pelo menos não nos computadores). O que havia eram figuras mas, nestas, nem pensar.

Toda a Web era texto puro. E lamba-se.

Mas logo as coisas se complicaram e foi preciso estabelecer algumas regras. Mas a quem competiria fazer isto?

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Editorial IT Forum 365
15 anos ago

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