Mega data center de IA divide comunidade na Escócia entre promessa de revitalização e temor ambiental

Projeto de 100 hectares em Ayrshire prevê até 540 MW de potência e reacende debate sobre água, energia e empregos

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Corredor de um data center futurista, com fileiras de servidores iluminados em tons de azul e verde nas laterais. No centro da imagem, destaca-se um chip digital brilhante com a sigla “IA”, cercado por padrões eletrônicos e códigos binários, representando infraestrutura tecnológica e computação avançada. Escócia, inferência
Imagem: Shutterstock

Um extenso terreno rural no leste de Ayrshire, na Escócia, pode se transformar, nos próximos anos, em um dos maiores complexos de data centers dedicados à inteligência artificial (IA) do mundo. A proposta, liderada pela Intelligent Land Investments (ILI Group), prevê a criação de um polo tecnológico próximo à prisão de HMP Kilmarnock, na localidade de Hurlford.

A área reservada soma cerca de 100 hectares (aproximadamente 250 acres). Segundo a empresa, o empreendimento teria dimensões semelhantes às da própria unidade prisional, enquanto a maior parte do terreno seria destinada a ações de biodiversidade e paisagismo.

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Segundo informações da BBC, batizado de Rufus, o data center integra um plano mais amplo chamado Stoics, que prevê um cluster distribuído também por regiões de Lanarkshire e Fife. A companhia afirma já ter garantido direitos sobre os terrenos e autorização para conexão à rede elétrica local, dando início ao processo de licenciamento junto às autoridades municipais.

O projeto surge em meio a uma expansão acelerada da infraestrutura de dados no mundo. Estimativas divulgadas em 2025 apontaram que cerca de US$ 3 trilhões deverão ser investidos globalmente, até 2029, em data centers voltados ao suporte de aplicações de inteligência artificial.

Na Escócia, o movimento também se intensifica. O grupo Action to Protect Rural Scotland calcula que ao menos 17 projetos de data centers estejam em diferentes estágios de planejamento no país.

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A ILI sustenta que o clima mais frio da Escócia é um diferencial para esse tipo de instalação, reduzindo a necessidade de sistemas intensivos de resfriamento. Segundo a empresa, a refrigeração ativa poderia ser necessária em apenas uma pequena fração do tempo, e haveria a possibilidade de suprir a demanda hídrica por meio da captação de água da chuva no próprio local.

Debate sobre água e energia

Moradores, porém, questionam a dimensão real do impacto ambiental. A estudante Lisa Beacham, de Hurlford, afirma que a proposta prevê uma potência de 540 megawatts (MW), o que, segundo ela, exigiria milhões de litros de água por dia para resfriamento dos equipamentos.

Especialistas também divergem sobre o peso do clima local na equação. Alex de Vries, responsável pelo blog Digiconomist, estima que uma instalação desse porte poderia consumir bilhões de litros de água doce por ano para sustentar a geração de energia necessária à operação.

Além da água, moradores manifestam preocupação com a pressão sobre a rede elétrica e com a ausência, até o momento, de uma Avaliação de Impacto Ambiental formal. A empresa reconhece que o projeto está em estágio inicial, mas afirma estar conduzindo estudos próprios e dialogando com entidades como a Scottish Water e a agência ambiental Sepa. Uma avaliação formal poderá ser apresentada em etapas posteriores.

Empregos e investimento privado

A promessa de geração de empregos é um dos principais argumentos favoráveis ao empreendimento. A ILI estima que entre 120 e 150 postos de trabalho possam ser criados, abrangendo funções como segurança, limpeza e posições técnicas especializadas.

Parte da comunidade, no entanto, questiona se haverá capacitação para que moradores locais ocupem as vagas. Também há dúvidas sobre a permanência de longo prazo da empresa responsável pelo projeto, caso o ativo seja vendido após o desenvolvimento inicial.

A companhia afirma que o cluster Stoics poderá atrair dezenas de bilhões de libras em investimento privado para a economia escocesa. Até o momento, segundo informou à BBC, não há financiamento confirmado, embora haja interesse de investidores privados.

Para críticos, o principal ponto é a escala e a permanência do empreendimento. Um data center dessa magnitude pode operar por 40 ou 50 anos, alterando de forma definitiva a paisagem e a dinâmica da região.

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