“O varejo não compete mais por canal, mas por capacidade de movimentar produtos”, diz CIO da Motz

Segundo o executivo, logística multimodal substitui o omnichannel como novo campo de batalha do varejo

Publicado:

Leitura 3 minutos

Marcelo Ortega, CIO da Motz no Na Mata Varejo
Imagem: PlayP Brasil/IT Forum

No Distrito Itaqui, em Itapevi (SP), a discussão sobre inovação no varejo desloca o foco da experiência digital para a infraestrutura física que sustenta o consumo. Durante palestra no IT Forum Na Mata, Marcelo Ortega, diretor de tecnologia e produto da Motz, transportadora digital da Votorantim Cimentos, afirma que a logística deixou de ser uma área de suporte para assumir papel central na estratégia competitiva das empresas.

Segundo o executivo, o conceito de omnichannel, que dominou o debate do varejo na última década, já não representa diferencial competitivo. “O novo varejo não é omnichannel. O varejo não compete mais por canal. Ele compete por capacidade de movimentar produtos de formas diferentes”, diz.

As melhores notícias de tecnologia B2B
Acompanhe todas as novidades diretamente na sua caixa de entrada

A avaliação reflete uma mudança estrutural: integrar canais de venda tornou-se requisito básico de operação, enquanto a eficiência logística passa a determinar velocidade, custo e experiência do consumidor final. Na prática, afirma Ortega, vence quem consegue orquestrar estoques, modais e entregas em escala.

O executivo recorre à própria trajetória para contextualizar essa visão. Com carreira iniciada em 1987, ele relembra o período em que desenvolvedores precisavam construir sistemas do zero pela ausência de soluções prontas no mercado. “A tecnologia não existe para dar manutenção. Ela existe para colocar a empresa para frente”, afirma. Para ele, essa mentalidade ainda define o papel do CIO contemporâneo, cada vez mais ligado ao crescimento do negócio.

Leia também: Letramento digital e revisão de processos são os novos pilares da IA no varejo

A tese apresentada pela Motz se apoia na ideia de plataformização do transporte. Entre 2023 e 2025, a empresa registra crescimento de 400% no número de motoristas cadastrados, passando de 22 mil para 130 mil profissionais. No mesmo período, movimenta 4,8 milhões de toneladas de cargas em um ano, ampliando a capacidade de atendimento em milhares de cidades brasileiras.

Nesse modelo, conceitos como crowdshipping transformam a logística em uma rede distribuída. Em vez de fluxos lineares, cargas passam a ser alocadas dinamicamente a uma base pulverizada de motoristas conectados por plataforma digital, o que permite escalar operações complexas, como fulfillment distribuído e cross-docking doméstico, antes restritas a grandes varejistas.

A apresentação também destaca características estruturais do mercado brasileiro. O transporte rodoviário responde por cerca de 61% da matriz logística nacional e opera em um ambiente altamente fragmentado, com predominância de pequenas e médias empresas e baixa digitalização do setor. Esse cenário, segundo Ortega, cria espaço para plataformas capazes de conectar embarcadores, transportadoras e caminhoneiros em um único ecossistema operacional.

Apesar do avanço tecnológico, o executivo argumenta que a digitalização no País não elimina a necessidade de presença física. A Motz mantém mais de 150 pontos de atendimento espalhados pelo Brasil em uma estratégia que define como “figital”, combinando infraestrutura digital com suporte presencial a motoristas e clientes.

Ao projetar os próximos anos, Ortega afirma que a logística deve evoluir para modelos cada vez mais multimodais e orientados por sistemas inteligentes de decisão. “No passado, o varejo vendia produtos. Hoje, ele orquestra movimentos”, resume.

Siga o IT Forum no LinkedIn e fique por dentro de todas as notícias!

Sobre o Autor

Pamela Sousa é editora-assistente no IT Forum, graduada em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Especializa-se na cobertura de tecnologia, inteligência artificial e inovação, desenvolvendo reportagens aprofundadas e artigos analíticos sobre o impacto dessas tecnologias nos negócios e na sociedade.

Ver publicações deste autor

Notícias relacionadas

Ver mais Seta para direita