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Dados e IA para proteger melhor nossas cidades

Da informação à ação: o papel dos dados e da inteligência artificial na construção de cidades mais seguras e sustentáveis

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Nos últimos anos, eventos climáticos extremos deixaram de ser exceção e passaram a fazer parte do dia a dia de muitas cidades brasileiras. Enchentes, deslizamentos, estiagens, ondas de calor e problemas de abastecimento impactam famílias inteiras, serviços públicos e a economia local. Diante disso, surge uma questão essencial: como preparar nossas cidades para enfrentar esses desafios de forma mais inteligente e humana?

Uma das respostas está no uso responsável de dados e inteligência artificial. Todos os dias, nossas cidades produzem uma enorme quantidade de dados coletados a partir de registros de saúde, de registros de educação, de dados sobre mobilidade, de atendimentos sociais, de medições ambientais, além dos dados captados por sensores, aplicativos e plataformas digitais. Quando esses dados são organizados, analisados e transformados em conhecimento, ajudam a entender melhor os problemas e a planejar soluções com mais eficiência.

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Ferramentas de análise e inteligência artificial permitem, por exemplo, identificar áreas mais vulneráveis a alagamentos, acompanhar mudanças climáticas locais, monitorar qualidade do ar e do solo e planejar políticas públicas com base em evidências. Em muitos municípios, observatórios e escritórios de dados já reúnem informações de forma integrada, facilitando o trabalho de gestão e ampliando a transparência para a população.

Outro avanço importante vem do uso de sensores conectados, a chamada Internet das Coisas (IoT). Sensores instalados em rios, hortas urbanas, semáforos, escolas ou unidades de saúde podem medir, em tempo real, indicadores ambientais e sociais. Essas informações alimentam painéis interativos que permitem agir de forma preventiva com o propósito de alertar comunidades sobre possíveis eventos climáticos ou direcionar recursos para bairros que mais precisam. Mas tecnologia, sozinha, não resolve tudo. É fundamental assegurar o uso ético dos dados, proteger a privacidade das pessoas e garantir que as informações públicas sejam abertas, acessíveis e compreensíveis. Também é essencial investir na formação de gestores e cidadãos para que todos possam compreender o que os dados mostram e participar das decisões que afetam o futuro da cidade. Uma cidade inteligente não é apenas aquela que usa ferramentas digitais. Ela é, principalmente, a cidade que coloca as pessoas no centro, que aprende com a própria realidade e que usa o conhecimento para reduzir desigualdades, fortalecer a governança e proteger vidas. Os desastres recentes mostraram que improvisar pode custar muito caro. Planejar com base em dados é uma forma de cuidado coletivo.

Temos hoje uma oportunidade histórica: transformar informação em ação e inovação em bem-estar social. Dados e inteligência artificial não devem ser vistos como algo distante, mas como aliados no esforço de construir cidades mais seguras, sustentáveis e preparadas para os desafios climáticos que já fazem parte do nosso tempo. Conclui-se que decisores públicos precisam de dados para a tomada de decisão, caso contrário estarão trabalhando no escuro.

Daniel Luis Notari é pesquisador do Think Tank ABES e do City Living Lab/PPGA – Universidade de Caxias do Sul. As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, os posicionamentos da Associação.

 

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Sobre o Autor

A Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES) atua com o propósito de contribuir para a construção de um Brasil Mais Digital e Menos Desigual, porque acredita que a tecnologia da informação desempenha um papel fundamental para a democratização do conhecimento e a criação de novas oportunidades, visando melhor qualidade de vida para todos, de forma inclusiva e igualitária. Diante desse propósito, o objetivo da ABES é o de assegurar um ambiente de negócios propício à inovação, ético, dinâmico, sustentável e competitivo globalmente.

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