Tarifa de 100% sobre chips estrangeiros proposta por Trump gera incerteza no setor

Empresas e países tentam entender impacto da medida, que favorece gigantes como Intel e Samsung, mas ameaça fabricantes menores

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Imagem: Shutterstock

A proposta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor tarifas de 100% sobre chips de computador fabricados fora do país está gerando confusão entre empresas e parceiros comerciais. A medida foi anunciada por Trump durante um encontro com o CEO da Apple, Tim Cook, na Casa Branca, e gerou repercussões imediatas nos mercados financeiros e na indústria de tecnologia.

A iniciativa visa taxar pesadamente a importação de chips e semicondutores que não são produzidos em solo americano, com o objetivo de incentivar a fabricação nacional. Segundo Trump, companhias que já firmaram compromisso para construir fábricas nos EUA estarão isentas da nova tarifa, mesmo que ainda não tenham iniciado a produção localmente. “Se você está construindo nos Estados Unidos, não paga nada”, afirmou.

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O anúncio animou Wall Street: ações de gigantes como Intel, AMD e Nvidia registraram alta, assim como os papéis de Samsung e Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC), que têm investido em fábricas nos EUA. Mas a reação não foi homogênea. Fabricantes menores da Europa e da Ásia, que não participam diretamente da corrida por chips avançados para inteligência artificial, agora enfrentam incertezas sobre como serão afetados.

Essas empresas, que produzem chips usados em automóveis, eletrodomésticos e outros produtos do dia a dia, temem não se qualificar para isenções. “Elas provavelmente não são grandes o suficiente para entrar no radar das exceções e não têm capital sobrando para investir em larga escala nos EUA”, explicou Martin Chorzempa, pesquisador sênior do Peterson Institute for International Economics, à Associated Press.

Tarifas de componentes

O impacto prático da tarifa ainda está sendo debatido. A maior parte dos chips estrangeiros que entram nos Estados Unidos já está incorporada a produtos como celulares e carros antes de cruzar a fronteira. Por isso, especialistas se perguntam se haverá uma “tarifa de componente”, com cálculos específicos para chips integrados aos produtos.

Esse ponto é particularmente sensível para o setor automotivo. Durante a pandemia de COVID-19, a escassez global de semicondutores elevou os preços de veículos e contribuiu para o aumento da inflação. Chorzempa alerta que tarifas sobre chips veiculares podem elevar os custos em centenas de dólares por carro. “Tem chip para subir e descer o vidro, para o sistema de entretenimento, para gerenciar a energia, especialmente em veículos elétricos”, disse.

O movimento de Trump contrasta com a estratégia adotada por Joe Biden durante seu mandato. Em 2022, Biden sancionou o CHIPS and Science Act, um pacote bipartidário que destinou mais de US$ 50 bilhões para fomentar a indústria de semicondutores nos EUA, incluindo incentivos à construção de fábricas, financiamento para pesquisas e capacitação de mão de obra.

Trump, por outro lado, rejeitou subsídios governamentais diretos e aposta que tarifas elevadas forçarão empresas a produzirem localmente. A abordagem, no entanto, traz riscos: pode pressionar as margens de lucro das empresas e encarecer eletrônicos e bens de consumo para os americanos.

Enquanto empresas como TSMC, Samsung e Intel colhem os benefícios de seus investimentos prévios em território americano, outras organizações menores ainda buscam respostas sobre como a nova regra será implementada, e se haverá exceções para determinados setores ou produtos.

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Sobre o Autor

Repórter no IT Forum, é graduada em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Maria, RS. Com 3 anos de experiência em produção de conteúdo, concentra-se na elaboração de reportagens e artigos jornalísticos.
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