O novo ethos da tecnologia e negócios: mais ético, sustentável e socialmente responsável

Sustentabilidade, ética, transparência, foco na cibersegurança, inclusão e diversidades são parte do novo ethos

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novo ethos tecnologia sustentabilidade esg
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A palavra “ethos” tem suas raízes na língua grega antiga, onde era usada para se referir ao caráter ou à disposição moral de uma pessoa ou grupo. Etimologicamente, “ethos” em grego pode ser traduzido como “hábito”, “costume”, “caráter” ou “disposição”. No uso clássico, especialmente na retórica grega, o ethos era um dos três modos de persuasão identificados por Aristóteles em sua obra “Arte Retórica”, juntamente com o logos (lógica ou razão) e o pathos (emoção). Aristóteles defendia que um orador convincente deve demonstrar credibilidade e caráter moral (ethos), além de usar argumentos lógicos (logos) e apelar para as emoções do público (pathos).

Com o tempo, o termo “ethos” evoluiu para significar os valores, crenças, ideais e práticas compartilhadas que caracterizam uma comunidade, nação ou organização. É frequentemente usado para descrever o conjunto de valores e princípios que formam a base da cultura e da identidade de um grupo. Na filosofia, “ethos” é usado para descrever o caráter ético ou moral de um indivíduo ou sociedade, frequentemente em contraste com as regras ou leis que regem o comportamento. Na sociologia e na antropologia, refere-se aos aspectos morais, éticos e normativos que governam as comunidades e os grupos sociais, formando a base para o comportamento e as interações sociais.

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O “novo ethos” no contexto da tecnologia e dos negócios refere-se a uma mudança fundamental na maneira como as organizações percebem e abordam a inovação, a responsabilidade e a sustentabilidade. Esse novo ethos é caracterizado por várias tendências e valores-chave:

Sustentabilidade e Responsabilidade Ambiental: As empresas estão cada vez mais conscientes do impacto ambiental de suas operações e produtos. Elas buscam não apenas minimizar danos ao meio ambiente, mas também contribuir positivamente, seja através de práticas de negócios verdes, desenvolvimento de tecnologias sustentáveis ou adoção de políticas corporativas que promovam a sustentabilidade.

Ética e Transparência: Existe uma crescente demanda por maior transparência e ética nas práticas de negócios, especialmente no que diz respeito ao uso de dados e à implementação de tecnologias de IA. Isso inclui garantir que os dados sejam coletados e utilizados de maneira ética e responsável, e que os algoritmos de IA sejam justos e livres de preconceitos.

Foco na Segurança Cibernética: Com o aumento das ameaças digitais, as organizações estão adotando uma postura mais proativa em relação à segurança cibernética. Isso envolve não apenas a proteção de infraestruturas e dados, mas também a construção de uma cultura de segurança cibernética dentro da organização.

Inclusão e Diversidade: Há um reconhecimento crescente da importância da diversidade e inclusão, tanto na força de trabalho quanto na abordagem de mercado. Isso significa criar ambientes de trabalho que acolhem e apoiam a diversidade, bem como desenvolver produtos e serviços que atendam a uma ampla gama de necessidades e perspectivas.

Orientação para o Cliente e Personalização: As empresas estão se tornando mais centradas no cliente, buscando oferecer experiências personalizadas e de alto valor. Isso é muitas vezes alcançado através do uso de tecnologias avançadas, como a IA, para entender melhor e atender às necessidades dos clientes.

Adaptação e Resiliência: Em um mundo de rápidas mudanças tecnológicas e desafios globais, como pandemias e mudanças climáticas, a capacidade de se adaptar rapidamente e permanecer resiliente é crucial. As organizações estão buscando não apenas sobreviver a essas mudanças, mas também aproveitá-las como oportunidades para inovação e crescimento.

Nesse contexto, podemos citar alguns exemplos concretos do novo ethos da tecnologia e dos negócios, como o fato de algumas empresas estarem adotando práticas sustentáveis, como a redução de emissões de carbono e a reciclagem de materiais. Outros exemplos, são as organizações que estão trabalhando para promover a inclusão e a diversidade e empresários que estão usando a tecnologia para resolver problemas sociais, como a pobreza e a fome.

Embora esse novo ethos da tecnologia e dos negócios ainda esteja em formação, ele tem se mostrado um movimento importante e cada vez mais presente, que está transformando a forma como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos com o mundo. Esse movimento pode ser explicado por uma série de razões, incluindo:

  • A capacidade de ajudar a mitigar os impactos negativos da tecnologia, como a desigualdade e o impacto ambiental.
  • O potencial para promover o desenvolvimento sustentável e a prosperidade social.
  • A construção de uma sociedade mais justa e equitativa.

Em suma, este novo ethos representa uma abordagem mais holística e responsável para os negócios, onde a inovação tecnológica é equilibrada com considerações éticas, ambientais e sociais. É uma mudança de focar apenas no lucro e eficiência para incluir um compromisso mais amplo com o bem-estar da sociedade e do planeta.

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Sobre o Autor

Fábio Correa Xavier é Diretor do Departamento de Tecnologia da Informação (CIO) do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, onde lidera projetos de inovação, transformação digital e cibersegurança. É também Professor e Coordenador de Graduação e Pós-Graduação em diversas instituições de ensino, além de Colunista do MIT Technology Review, onde escreve sobre temas relacionados à tecnologia e sociedade. Possui formação acadêmica sólida, com Mestrado em Ciência da Computação pela USP, MBA em Gestão de Negócios pelo IBMEC/RJ, Especialização Network Engineering pela JICA-Japão, Pós-graduação em Lei Geral de Proteção de Dados, Direito Público, Gestão Pública e Responsabilidade Fiscal e Projetos de Redes. Possui ainda certificações internacionais em privacidade e proteção de dados, como IAPP CIPM e CDPO/BR, EXIN Privacy and Data Protection e (ISC)² CC.

Com mais de 30 anos de experiência na área de tecnologia e segurança da informação, atuou em empresas de grande porte, do setor público e privado, sendo reconhecido por diversos prêmios e homenagens, como o Prêmio de Inovação Judiciário Exponencial, o Ranking 100 Empresas + Inovadoras no Uso de TI, o Prêmio Empresa +Digital, o Prêmio Security Leaders Case do Ano, entre outros. Além da sua atuação profissional e acadêmica, dedica-se a trabalhos voluntários como Secretário Executivo do Comitê Gestor de Tecnologia, Governança e Segurança da Informação dos Instituto Rui Barbosa – IRB e Membro do Conselho de Administração do Instituto do Câncer Dr. Arnaldo.

É autor dos livros “LGPD no setor público: boas práticas para os municípios brasileiros”, “LGPD no setor público: Boas práticas para a jornada de adequação”, “Roteadores Cisco: guia básico de configuração e operação”, “Tecnologias, Inovação e outros assuntos em análise” e “Cartilha de Governança em Proteção de Dados para Municípios”. Também é autor de capítulos em livros sobre a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais e os Tribunais de Contas Brasileiros.

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