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Hospital do Câncer Mãe de Deus vai usar Watson para tratar pacientes

Instituição de saúde gaúcha será a primeira da América Sul a utilizar a plataforma de inteligência artificial da IBM para tratar pacientes com câncer

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Nos próximos cinco anos, o câncer deve se tornar a principal causa de morte na cidade de Porto Alegre, superando os óbitos relacionados problemas cardíacos, doença que mais mata hoje moradores na capital gaúcha. Um sintoma claro dessa tendência é que nos últimos sete anos as mortes causadas por parada cardíaca aumentaram 4%, enquanto as provocadas por câncer subiram 12%.

É este cenário preocupante que levou Hospital do Câncer Mãe de Deus, localizado na cidade gaúcha, a buscar apoio na tecnologia. A instituição de saúde será a primeira da América Sul a utilizar inteligência artificial para tratar pacientes com câncer. A tecnologia utilizada será a IBM Watson for Oncology, uma solução colaborativa que possui mais de 15 milhões de conteúdos científicos, incluindo cerca de 200 textos médicos e 300 artigos.

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Com a entrada em operação prevista para ocorrer neste ou no início do próximo mês, o sistema vai possibilitar um atendimento mais personalizado, aumentando a interação entre o médico e o paciente, enfatiza o médico Carlos Barrios, diretor do Hospital do Câncer Mãe de Deus.

“Provavelmente, Porto Alegre será a primeira cidade do país onde o câncer será a primeira causa de morte dentro de cinco anos. Diante disso, procuramos oferecer ao corpo clínico as condições para que possam fazer o melhor diagnóstico e recomendação terapêutica”, diz ele.

Segundo Barrios, o hospital juntou um grupo clínico muito qualificado e o objetivo é fornecer a esses recursos humanos tecnologias para que possam enfrentar a situação, que ele classifica como uma epidemia. Hoje, diz ele, o Hospital do Câncer Mãe de Deus já possui o PET Scan de diagnóstico por imagem mais moderno da América Latina. “E ainda este mês ou no próximo devemos adquirir um equipamento de radioterapia de última geração.”

O médico destaca como uma das principais características da plataforma Watson, a capacidade de aprendizagem. “Isso permite que ela seja aprimorada continuamente com a contribuição dos oncologistas que a utilizam, inclusive internacionais, além de possibilitar que o médico se mantenha atualizado sobre todas as evidências científicas relacionadas ao caso específico do paciente para adotar a melhor recomendação terapêutica”, ressalta Barrios.

Esse atributo da plataforma também é apontado por Eduardo Cipriani, líder da divisão IBM Watson Health no Brasil. “Além de liberar o médico do trabalho operacional, o Watson for Oncology oferece todos os possíveis procedimentos para que ele tome a melhor decisão, com a opção da terapêutica recomendada ou de menor risco para o paciente.”

Em termos práticos, o médico pode incluir no sistema as informações clínicas do paciente, com o seu histórico e resultados de exames. Com esses dados, a solução irá auxiliá-lo a reunir provas específicas para as necessidades individuais de saúde do paciente. “O Watson informa a relevância de cada tratamento e fornece links de apoio para cada alternativa, indicando aos oncologistas quais são as opções de tratamento, medicamentos e possíveis efeitos colaterais e o que oferece um atendimento mais personalizado e produtivo, aumentando o tempo de interação entre o médico e o paciente”, explica Cipriani.

Atualmente, segundo o executivo, cerca de 50 mil trabalhos de pesquisas oncológicas são publicados por ano. Estudos estimam que a informação médica do mundo irá dobrar a cada 73 dias a partir de 2020, tornando quase impossível que qualquer profissional de saúde se mantenha atualizado sem o auxílio da plataforma cognitiva.

“No caso específico do Brasil, temos 790 pacientes com câncer para cada oncologista. Por isso, é preciso que esses médicos possam ter em mãos informações relevantes para o tratamento do paciente”, destaca ele.

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