Relatório divulgado hoje (10/2), no Dia da Internet Segura, pela Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos (CND) da SaferNet Brasil, indica que em 2014 houve crescimento de 34,15% nas denúncias de páginas apontadas como racistas e 365,46% em conteúdos supostamente relacionados a xenofobia.
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Grande parte dessas páginas, de acordo com Thiago Tavares, presidente da SaferNet Brasil, foi criada no período eleitoral. A SaferNet recebeu apenas no dia 27/10 – dia seguinte ao resultado final das Eleições – 10.376 denúncias anônimas de xenofobia relacionadas a moradores do Norte e Nordeste com 6.909 links apenas de redes sociais, recorde desde 2006.
Somente em 2014, segundo a CND, a SaferNet recebeu e processou 189.211 denúncias anônimas envolvendo 58.717 páginas da web, escritas em oito idiomas e hospedadas em 9.066 hosts em 63 países e cinco continentes. Desse total de páginas, 7.092 foram removidas, informa a entidade.
Denúncias envolvendo suspeitos de tráfegos de pessoas aumentaram 192% em comparação com 2013. Tavares relata que em 2014 a maioria das páginas dessa categoria fazia alusão ao agenciamento de pessoas para prostituição, incluindo adolescentes, durante a Copa do Mundo.
Outro dado destacado por Tavares foram os pedidos de ajuda e orientação psicológica atendidos pela SaferNet relacionados a sexting – vazamento de fotos íntimas. As solicitações nessa categoria totalizaram 222, aumento de 119% em comparação com 2013, quando foram atendidos 101 casos. No ano passado, em 81% dos casos as vítimas eram mulheres.
O cyberbullying foi tema de 177 atendimentos em 2014. A maioria dos pedidos, segundo a entidade, esteve relacionado a humilhações e intimidações repetidas por meio da web e dispositivos móveis. Já os dados pessoais, que agrupam violações e exposições de dados pessoais em redes sociais e web, somaram 136 casos, 30% a mais do que em 2013.
“Em razão desse cenário, temos trabalhado em parceria como Ministério Público, Polícia Federal, Comitê Gestor, e empresas como Google e GVT para atuar tanto na conscientização como na resolução dos problemas”, detalha Rodrigo Nejm, diretor de prevenção da SaferNet Brasil.
Os casos reportados à SaferNet são feitos voluntariamente pelos usuários da internet, quando se deparam com conteúdos que apresentam crimes contra direitos humanos na web. Para fazer a denúncia, o internauta deve acessar o portal da organização e enviar o link do site onde identifica o ato ilícito. Feito isso, o usuário recebe um protocolo. A CND analisar o teor de cada uma das denúncias, por meio de um software, que identifica se há duplicidade de casos. Depois, processa e encaminha para a Polícia Federal seguir com as investigações.
Nejm ressaltou em coletiva de imprensa para divulgação dos dados que a entidade trabalha para aperfeiçoar a educação e conscientizar os usuários da importância de configurar corretamente plataformas e estimular pais a acompanharem a navegação dos filhos. “Educação e orientação devem estar presente desde o primeiro clique”, pontua.
A delegada da Polícia Federal (PF), Diana Calazans Mann, afirma que a PF tem focado na conscientização de crianças sobre os riscos da web. “Neste ano, a ideia é fomentar a realização de palestras em escolas localizadas nas cidades e capitais onde a PF se faz presente”, indica.
Até sexta-feira (6/2), Diana conta que a PF tinha em seu calendário 30 palestras agendadas para um público de cerca de cem a 200 crianças. “Atuamos na prevenção e não somente depois que o crime já aconteceu”, explica.
Contudo, segundo a delegada, adultos também precisam ser educados para os riscos da web e ainda sobre o que fazer quando encontrar conteúdos impróprios. “Adultos replicam conteúdos com a falsa noção de que aquilo vai gerar resultado positivo. Mas o prejuízo é imenso”, diz. Ela alerta que essas pessoas serão chamas pelo PF para dar explicações também. “Em 2015, teremos cunho pedagógico para que a pessoa crie uma cultura de uso mais adequado e positivo do ambiente on-line”, adianta.
A delegada conta que em 2014 a PF unificou as áreas de crimes cibernéticos e repressão aos crimes fora da web. “Isso vai nos ajudar na construção de ferramentas tecnológicas para enfrentar a evolução da criminalidade na web.” Um exemplo de sucesso citado por ela foi a operação Darknet, que efetuou 54 prisões no País a partir de uma investigação mais profunda e estratégia de crimes na web. “Nossa atuação está ficando mais sofisticada”, assinala.
Privacidade na web
Diante dos casos de crimes da web, a SaferNet alerta que algumas medidas devem ser tomadas com frequência por pais, crianças e internautas para evitar episódios violentos na web e até mesmo denunciar casos.