Empresas de mídia e de serviços tomam parte da receita de telecom na era digital

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Empresas de mídia e de serviços tomam parte da receita de telecom na era digital

A era digital, com conexão móvel e dispositivos acessíveis, aumentou a base de usuários de smartphones e consumidores conectados. Apesar de empresas de telecomunicações terem protagonismo ao deter o controle das redes, contudo, esse mercado é mais rentável para empresas de TI, especialmente dos segmentos de mídia e serviços digitais, conclui estudo publicado nesta segunda-feira (16/12) pelo Boston Consulting Group (BCG).

A conta se baseia na necessidade de investimento. Apesar de a mobilidade ter beneficiado startups e empreendedorismo mais do que qualquer outro segmento, muitas empresas precisam fazer investimentos pesados em escala global para ser bem sucedidas. O Google, por exemplo, triplicou seus custos de capital no terceiro trimestre deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado, chegando a US$ 2 bilhões. E operadoras de telecomunicações investem entre 10% e 15% de suas receitas na rede.

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Isso porque o crescimento expansivo no tráfego gerado por serviços digitais é um desafio a ser superado. Pense no YouTube ou no Netflix, por exemplo, que trafegam vídeos em alta qualidade e são responsáveis por mais da metade da largura de banda consumida nos Estados Unidos. À medida que esses serviços são consumidos com usuários em trânsito, a demanda por banda larga móvel também aumenta – pressionando operadoras a realizarem upgrades significativos em suas infraestrutura.

O problema é que a receita cresce muito mais devagar do que o tráfego. E isso faz investimentos para redes 4G, por exemplo, muito difíceis de serem justificados, argumenta a consultoria. A transformação das redes legadas para redes definidas por software (SDN, na sigla em inglês) pode ser a solução para este problema, mas a transição tomará muitos anos ainda pela frente.

Mercados emergentes

Essa situação é mais comum na Europa, onde o mercado é maduro e a base instalada não cresce, sendo um obstáculo pela receita. Nos mercados emergentes, entretanto, o aumento no número dos assinantes ainda é saudável. Mas problemas são iminentes, pois eles não estão gerando valor. Cerca de um quinto dos consumidores geram aproximadamente dois tercos da receita de operadoras nesses mercados, que incluem o Brasil, alerta o BCG.

Esse descompasso corrobora o investimento pesado em novas redes. As operadoras precisam de um novo playbook para gerar receita a fim de suportar o case para investimento. Em alternativa, a consultoria aponta parcerias criativas entre os setores público e privadoque podem fazer sentido e pagar por investimentos digitais avançados. Para estimular a competitividade, financiamentos públicos podem ocupar um espaço de maior destaque nessa cadeia, atesta o estudo.

 

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