Exército Brasileiro inicia teste em rede 4G

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Exército Brasileiro inicia teste em rede 4G

Focado na importância da rede LTE (Long Term Evolution) para soluções de missão crítica para governos e empresas, o Exército Brasileiro vai testar durante os próximos seis meses, podendo estes serem estendidos por mais um semestre, soluções de próxima geração de segurança pública por meio da tecnologia 4G implementada na frequência de 700 MHz.

O trial acontecerá em parceria com a Motorola para enfrentar a nova ameaça aos cidadãos, que nada mais é a sofisticação e uso de tecnologias cada vez mais avançadas pelos criminosos. Para isso, a provedora da solução vai investir US$ 2 milhões no teste que deve ter início ainda neste mês. O valor inclui dispositivos móveis e modens para computadores.

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“Hoje, indicadores mostram que mais de 89% dos agentes que trabalham na ponta gostariam de receber informações de dados para melhor construírem suas táticas de ações e para enfrentar o que muitas vezes eles não conhecem”, conta Eduardo Stefano, presidente da Motorola Solutions Brasil. De acordo com o executivo, esse número mostra a realidade vivenciada pelo Exército, que tem expectativas de suprir todas as necessidades de casos de missão crítica, que normalmente são situações que não param e que demandam muito de ações capazes de não falhar, nem mesmo por 10 segundos.

O trabalho realizado pelo Exército no Morro do Alemão é um exemplo de projeto que não pode ter falhas durante as tomadas de decisões dos agentes que estão em campo. “Essa é uma atuação muito importante, durante esse trabalho ocorrem situações de perseguição de alto risco e a ideia é que essa tecnologia [LTE] permita mais ferramentas e subsídios para capacitar a equipe em campo e ter uma melhor eficiência na atuação”, exemplifica Stefano.

Nada disso acontece de forma isolada, um centro de controle e comando é responsável por levar para o agente na ponta a capacidade de ter melhores condições para decidir por ações mais assertivas. “A correlação e a troca de informação entre o agente na ponta e o centro integrado e fundamental.”

A tecnologia permite ao usuário 4G entender, através de geoposicionamento, ter informações como, por exemplo, onde esta a viatura mais próxima, além de estar apto a gerar um comando e identificar um veículo suspeito em tempo real.

Isso permite, segundo o executivo, que o agente, que antes recebia apenas comando de voz, receba vídeos e detalhes do layot do local em que ele vai fazer determinada ocorrência. “Você leva o conceito do escritório de forma remota, de forma móvel, mas o conceito LTE é muito mais do que isso”, avalia.

Hoje é notória a pressão feita a TI para que os custos sejam cada vez mais reduzidos e, nesse caso, a tecnologia pode ajudar. Para Stefano, é questão de tempo: “talvez não seja possível sentir esse resultado logo no começo, mas os benefícios serão notados e os custos cortados.”

Entre os resultados esperados pelo exército estão banda larga com mobilidade total, em deslocamento, vídeo em tempo real, despacho de vídeo, terminais robustos, integração, priorização e compartilhamento com as agências.

Cenário
Atualmente o Exército Brasileiro conta com legado de solução analógica. Nos últimos dois anos foram feitos alguns investimentos considerados substanciais. “Estamos envolvidos diariamente em mais de 80 operações no Brasil e temos parceria com a Motorola, feita desde 2010, como meio de comunicação básica para atenuar o efeito dessas ações pelas quais o exército é chamado para contribuir com a sociedade”, diz o General Santos Guerra.

A intenção do Exército com o teste LTE é estar preparado para estar presente em todas as capitais do país em grandes eventos, como a Copa do Mundo de 2014. “Temos demandas relevantes e esperamos que a Anatel veja que essa é uma necessidade pública”, considera.

Guerra se refere ao pedido feito à Agência Nacional de Telecomunicação para usar a frequência de 700 MHz, reivindicando o uso de uma banda de 20 MHz para aprimorar a segurança pública em todo país. “Sabemos dos desafios que teremos com a Anatel e dos desafios dos prospectos.”

Em 2011, o Exército Brasileiro fez um pedido de uso de frequência 700 MHz e o mesmo não foi prosperado, assim, outra solicitação foi feita no início deste ano. “O que é preciso entender é que o dia a dia demanda uma solução de qualidade”, diz Guerra.

O general reforça que o esforço do Exército não é forçar a agência reguladora, mas sim mostrar que é um bem comum, sem interesse comercial.

Projeto LTE
Atualmente a Motorola tem uma série de projetos em diferentes níveis para segurança pública em 16 estados brasileiros. “Consideramos outros testes, mas priorizamos o Exército Brasileiro por ter presença nacional. Quem sabe, por meio desse projeto, consigamos chegar em outras partes do país”, relata Stefano. A infraestrutura contratada para o projeto LTE conta com uma aliança global entre a Motorola e a Ericson.

Stefano espera que o desenvolvimento do teste, assim como sua eficácia, seja prestigiado em países vizinhos. A ideia, segundo o executivo, é influenciar positivamente para mostrar as vantagens que a tecnologia traz de forma consistente.

O foco da empresa não é a convergência do 3G para 4G, mas sim a conectividade do LTE com sistemas legados de missão crítica.

No momento, a Motorola conta com três projetos comerciais de suas soluções, em redes LTE, em fase de implementação nos EUA, nas cidades de São Francisco (CA), em Harris County (TX) e no estado de Mississipi. De acordo com Stefano, há ainda testes semelhantes ao do Brasil em andamento em Israel, Hong Kong, Austrália e Abu Dabi.

A Motorola conta com mais de 9,5 mil patentes e tem investimento anual de US$ 1 bilhão em pesquisa e desenvolvimento. A empresa tem sete centros de pesquisa em diferentes países e cinco sites de produção espalhados pelo mundo, sendo um deles no Brasil.

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