A América Latina parte de um momento de evolução do mercado de operadoras móveis virtuais (MVNO, na sigla em inglês), com experiências positivas e negativas vivenciadas pelo modelo nos mercados norte-americanos e europeu. Com realidades diferentes, a região começa a construir seu modelo para esse tipo de serviço.
Julio Puschel, analista-sênior e chefe de estratégia de operadoras móveis na Informa Telecom, cerca de 26 empresas atuam ou planejam atuar como MVNO nos países latino-americanos. Um desses interessados é a rede varejista Carrefour, que sinalizou um possível plano para lançar o modelo no Brasil.
O consultor projeta que, até 2013, existam 6 milhões de assinantes de operadoras móveis virtuais na região. ”
Ainda é um mercado embrionário, mas que passará por um salto bastante significativo”, sinaliza, prevendo crescimento anual da base de clientes na casa dos 20% na América Latina, contra uma expansão mundial do segmento de cerca de 8%.
Dos cenários prováveis para os próximos três anos, o consultor sinaliza que, no mundo, 54% dos assinantes serão das operadoras móveis virtuais de baixo custo e 33% de companhias fixas usando MVNO para trazer mobilidade a sua oferta.
O mercado latino-americano se apresenta um pouco distinto, com 38% dos assinantes em serviços de desconto, devido a penetração do pré-pago na região, e telcos tradicionais utilizando o modelo para emular convergência e pacote de serviços agregados. “Simplesmente o baixo custo, como único diferencial competitivo, talvez não seja o suficiente, porque as operadoras já atendem esse mercado”, avalia o analista.
Todavia, o Brasil pode não estrear esse mercado em um curto espaço de tempo. Há muitos questionamentos sobre a possibilidade de lançamento de uma operadora móvel virtual no País devido a questões que esbarram por modelos tributários, pressão das telcos e ausência de regulamentação adequada. O varejo, que pode oferecer os serviços, também alimenta dúvidas como o tamanho do investimento para viabilizar o projeto, qual o prazo de retorno e especificações técnicas.
Abrir a rede
Na visão de Puschel, talvez o ponto mais crítico para o avanço do modelo no Brasil resida na necessidade das operadoras tradicionais abrirem sua rede e compartilhá-la com um potencial novo concorrente. “As telcos precisam tratar MVNO como um modelo de negócios diferente”, comenta, sinalizando a necessidade de adotar uma estratégia de venda no atacado para alcançar nichos específicos.
“Operadoras que acharem que MVNO não se encaixa em seu modelo de negócio verá seus concorrentes ocupando esse espaço”, salienta, projetando que a perspectiva para operadoras de rede não serão tão fácil quando foi até agora. “Não temos mais aquele green field no mercado de telecom”.
De acordo com o especialista, se as companhias do setor cresceram na casa dos 22%, a previsão é expansão de apenas 6% nos próximos anos. “As adições a partir de hoje serão baseadas em linhas secundárias ou ataque aos clientes”, indica.
O analista embasa sua visão de que a abertura da rede para operadoras móveis virtuais pode sustentar o crescimento de telcos tradicionais. “Elas tem que ser competitivas no atacado para agregar MVNO em sua rede e suportar seu crescimento”, conclui.
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