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51% dos brasileiros já sofreram fraudes digitais, revela Serasa Experian

Caio Rocha, diretor de Autenticação e Prevenção à Fraude do Serasa Experian. Imagem: reprodução/LinkedIn

No Brasil de 2025, o golpe chegou antes do pagamento. A cada 2,8 segundos, uma tentativa de fraude é bloqueada no país. Em um ano, foram mais de 11,5 milhões de ataques evitados. Mas nem todos escapam: 51% dos brasileiros já foram vítimas de fraude, e mais da metade deles sofreu perdas financeiras. Os dados, que emergem do Relatório de Identidade e Fraude da Serasa Experian, escancaram o tamanho do problema.

A digitalização do cotidiano facilitou transações, mas também abriu portas para criminosos. Se antes as fraudes dependiam de falsificações grosseiras, hoje elas são conduzidas por redes especializadas, amparadas em inteligência artificial e deepfakes. Na dark web, pacotes de fraude são vendidos como serviço: perfis falsos hiper-realistas, golpes de phishing sob medida e acessos indevidos impulsionados por engenharia social. A fraude deixou de ser um risco eventual e se tornou um setor estruturado da economia paralela.

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Leia também: O futuro das identidades digitais: Netbr e Customer Futures apostam no ‘empoderamento do consumidor’

O alvo preferido: idosos e portadores de cartão de crédito

A vulnerabilidade tem nome e idade: 57,8% dos brasileiros com mais de 50 anos relatam terem sido vítimas de golpes. Eles são o principal grupo visado, seguido por pessoas entre 30 e 49 anos (45,5%) e jovens de 18 a 29 anos (40,8%). No quesito método, os criminosos têm um favorito: o cartão de crédito. O uso indevido desses plásticos lidera o ranking de fraudes, com 47,9% dos casos, um salto de nove pontos percentuais em relação a 2023.

Outras modalidades também cresceram. O phishing – em que mensagens fraudulentas simulam comunicações reais para roubar dados – atingiu 21,6% dos entrevistados. Já os boletos falsos e transações via Pix fraudulentas somam 32,8% dos casos. Apesar do alarde em torno dos deepfakes, o uso desse tipo de fraude caiu de 9% para 3,8%, reflexo do avanço da biometria facial. “A biometria tem avançado tanto em adesão quanto em reconhecimento como uma tecnologia segura. Hoje, 71,8% dos brasileiros afirmam se sentir mais protegidos ao utilizá-la, e seu uso cresceu de 59% para 67% no último ano”, explica Caio Rocha, diretor de Autenticação e Prevenção à Fraude da Serasa Experian.

A segurança custa caro – e o consumidor paga

O preço da segurança está embutido na fatura: 76% dos brasileiros afirmam que aceitariam pagar mais por empresas que garantam proteção digital. O dado indica um aumento significativo em relação ao ano anterior, quando 62% dos consumidores expressaram essa disposição.

A percepção de risco também alterou hábitos de consumo. Embora seja o meio mais visado por fraudadores, o cartão de crédito segue sendo o preferido dos brasileiros: 84% o utilizam e 60% o consideram seguro. O Pix, porém, perdeu espaço. Em 2024, o uso da modalidade caiu nove pontos percentuais, enquanto a confiança despencou de 32% para 22%, reflexo do alto volume de golpes associados a esse meio de pagamento. “A queda da confiança no Pix está diretamente ligada à percepção do consumidor sobre sua vulnerabilidade. Golpes como o do falso QR Code e fraudes envolvendo transferências instantâneas geram um impacto real na forma como os brasileiros lidam com essa ferramenta”, aponta Rocha.

Entre a conveniência e a segurança

Seis em cada dez brasileiros dizem escolher onde comprar com base na proteção oferecida. Mas há um dilema: 89% dos entrevistados valorizam a privacidade, enquanto 86% exigem boas experiências digitais. O desafio é equilibrar segurança e usabilidade, sem que uma comprometa a outra.

Para Rocha, a solução está em uma estratégia de prevenção em camadas: “A combinação de inteligência artificial, biometria, autenticação multifator e monitoramento de dispositivos cria um sistema mais robusto. É um ciclo contínuo de evolução: enquanto as empresas aprimoram suas defesas, os criminosos sofisticam suas táticas”.

Além disso, o executivo destaca a importância da educação digital para os consumidores: “A tecnologia sozinha não é suficiente. As empresas precisam investir na conscientização do usuário, explicando como reconhecer tentativas de fraude e protegendo seus dados pessoais. Sem essa cultura de segurança, as vulnerabilidades continuarão a existir”.

O aumento das fraudes expõe um paradoxo: a tecnologia que protege também pode ser usada para enganar. Perfis falsos impulsionados por IA, phishing hiper-realista e fraudes como serviço mostram que o crime se modernizou. No Brasil de 2025, a segurança digital não é apenas um diferencial de mercado – é uma questão de sobrevivência.

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Pamela Sousa
Tags: ITDataSerasa Experian
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