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5 tendências de monetização para operadoras brasileiras em 2014

No primeiro artigo da série, descrevemos algumas tendências tecnológicas que terão impacto sobre a infraestrutura das operadoras de telecomunicações brasileiras em 2014.  O cenário de investimentos não será muito diferente dos anos anteriores: tudo aponta para alto volume de investimentos (capex), frente a uma concorrência cada vez maior das OTT (over-the-top).

As operadoras móveis representaram, sozinhas, cerca de 1,5% de todo o PIB mundial em 2013, e a expectativa é de que a receita global dessas empresas cresça 2,3% ao ano até 2017. No entanto, para suportar esse crescimento e obter a inovação desejada, em contrapartida, as operadoras devem ampliar em aproximadamente 5% ao ano seus investimentos (capex), ao longo dos próximos cinco anos.

Embora a receita total das operadoras, especialmente no Brasil, continue crescendo a taxas significativas, o ARPU (Average Revenue Per User, ou seja, Receita Média Por Usuário) tende a continuar caindo entre 3% a 5% ao ano na América Latina. No Brasil, o aumento da competição, somado à forte regulação, tem resultado na redução das tarifas graças a planos mais competitivos, colocando ainda mais em destaque temas como qualidade e eficiência de redes. Afinal, nesse novo cenário, ao mesmo tempo em que mais usuários têm acesso aos serviços móveis, as operadoras precisam encontrar um jeito de rentabilizar os investimentos.

Abaixo estão algumas tendências relacionadas à monetização das redes e que estarão presentes nas ações de marketing e planejamento das operadoras em 2014:

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1. Cloud computing

Praticamente todas as operadoras têm investido em cloud computing, mas a maioria está restrita à oferta de armazenamento ou hospedagem. A computação em nuvem exigirá mais das operadoras, que têm uma oportunidade ímpar de criar ofertas inovadoras. Muito mais do que simplesmente um provedor de cloud, a operadora atuará como um Cloud Service Broker, em parceria com empresas integradoras que têm um ecossistema de parceiros extenso e são capazes de desenvolver produtos que englobem as aplicações, como SAP, Oracle, Sales Force etc., e ferramentas de colaboração. Aliado às ofertas de NaaS (Network as a Service), essas soluções têm grande potencial de receita vindo de grandes, médias e pequenas empresas.

2. Monetizando as redes móveis

A densidade de celulares no Brasil é alta (já há mais celulares do que habilitantes) e eles são a principal porta de acesso à internet, especialmente em regiões remotas ou rurais.  A tecnologia móvel é, portanto, a que melhor oferece uma forma de impulsionar transformações sociais e incrementar receita da operadora. A oferta de produtos que aproveitem a tecnologia para melhorar a vida do consumidor como cidadão (por exemplo, serviços para ensino de idiomas a distância) tornam-se, assim, um excelente caminho para as teles. O Gartner, o GSMA e a McKinsey & Co estimam que o mercado de educação móvel na América Latina possa representar cerca de US$ 2 bilhões em seis anos, com uma taxa de 54% de crescimento anual desde 2011. Com a mobilidade e especialmente com a capacidade das redes 4G, surgem inúmeras possibilidades, não apenas para educação, mas também para os setores de saúde e segurança pública.

3. Conheça seu cliente – Advanced Analytics e Big Data

Apenas 5% da informação disponível na internet é aproveitada em benefício dos negócios. Isso acontece porque tanto as empresas quanto os provedores ainda não investiram em sistemas capazes de extrair informações vitais para o negócio. Em 2014, o investimento nessa área promete se intensificar, graças à combinação da evolução tecnológica desse tipo de ferramenta (atualmente capazes de coletar informações de diversas fontes, como a própria rede, plataformas de OSS/BSS como CRM, billing das aplicações, e da internet), da disseminação do conhecimento acerca de suas aplicações e da redução do custo total de projetos do gênero. Com isso, será possível para as operadoras coletar informações de grande valia para o seu negócio, como conhecer melhor o comportamento do seu cliente, estilo de vida, padrões de utilização, localização etc. Ainda é possível fazer uma análise preditiva para evitar ou reduzir o churn, entender melhor o custo de lançamento de um produto e o custo da retenção do cliente. Para o time operacional, a correlação de eventos para tomada de decisão em tempo real é um dos grandes benefícios da implantação de sistemas de analytics.

4. Vídeo Online e multitelas

A TV paga continuará sendo a fonte dominante de receita em vídeo no Brasil em 2014. No entanto, observa-se um leve declínio nas taxas de crescimento dessa receita, a nível mundial. Nos Estados Unidos, a quantidade de assinantes de vídeo online cresce a 116% ao ano, e as compras de vídeo online, 35% (segundo o Instat and Screen Digest Video ecosystem revenue report). Trata-se de uma importante mensagem para as operadoras nacionais que precisam, portanto, abraçar essa mudança no perfil do consumidor de vídeo e tomar parte dessa receita que hoje está nas mãos das OTTs.

5. Internet das Coisas

A Internet das Coisas, embora pareça, não é algo futurista. Desde 1999, quando o MIT cunhou o termo “Internet of things”, a tecnologia vem evoluindo significativamente, principalmente em relação ao desenvolvimento de chipsets e protocolos que se adaptem e funcionem em redes com milhões de sensores e conexões e tenham baixíssimo consumo de CPU, memória e energia. Esses desafios, ao longo desses últimos 15 anos, foram sendo superados. Agora, as operadoras, donas da última milha, têm tudo o que precisam para tomarem proveito da internet das coisas. Necessitam, ainda, desenvolver parcerias para viabilizar um modelo de negócios que leve a internet para o campo (Agricultura Conectada), para as cidades (cidades inteligentes) e para o consumidor final (casa conectada, carro conectado).

Lucas Pinz é gerente de tecnologia da PromonLogicalis, integradora independente de soluções de tecnologia da informação e comunicação (TIC) da América Latina.

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Editorial IT Forum 365
12 years ago

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