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4 em cada 5 redes comunitárias no Brasil atendem povos tradicionais

Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Em regiões de povos tradicionais e com pouca oferta de infraestrutura e serviços de internet, as redes comunitárias são a principal alternativa para promover a inclusão digital. É a conclusão de um levantamento inédito produzido pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) e pelo Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br).

De acordo com o estudo, as redes comunitárias estão, em sua maioria (83%), presentes em localidades remotas e que apresentam maior vulnerabilidade: 40% delas em quilombos ou territórios quilombolas, 33% em aldeias ou territórios indígenas e 23% em áreas ribeirinhas.

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“As redes comunitárias de Internet têm um papel estratégico de promover conectividade em áreas desatendidas, e em comunidades mais vulnerabilizadas, além de estimular a apropriação da tecnologia por essas comunidades. Por isso é muito importante entender quem são, como e onde atuam”, explica Alexandre Barbosa, gerente do Cetic.br|NIC.br.

A sustentabilidade dessas redes comunitárias pode ser, entretanto, sensível. Quase a totalidade das redes comunitárias mapeadas (93%) se definem como “organizações sem fins lucrativos” e um quarto delas (23%) afirma depender de um investimento médio mensal de mais de R$1 mil para se manterem ativas, e 38% um custo de até R$ 1 mil.

Para financiá-las, 38% das redes comunitárias investigadas se valem de doações voluntárias de pessoas da própria comunidade, e igual proporção contava com o financiamento de organizações não governamentais. Em 28% delas eram cobradas mensalidades ou anuidades dos usuários.

Quando questionados sobre quão seguros estavam de que a sua rede estaria funcionando nos próximos 12 meses, 53% dos entrevistados (21 entre as 40 investigadas) afirmam estar muito seguros ou seguros de que a rede continuaria operando nos próximos 12 meses; 18% declaram estar nem seguros nem inseguros, e 23% declaram estar pouco ou nada seguros, representando quase um quarto das redes analisadas.

“A sustentabilidade financeira das operações cotidianas é um desafio para a manutenção das redes comunitárias. Identificamos durante a pesquisa que a maior parte dos projetos de implementação dessas redes não preveem recursos para além das etapas iniciais de implementação ou para situações excepcionais, como conserto e substituição de equipamentos”, afirma Laura Tresca, conselheira do CGI.br.

Perfil de audiência e consumo

Segundo o estudo, os principais beneficiários das redes comunitárias são os moradores de entornos urbanos (58%). As redes também mencionaram visitantes daquelas áreas, associações (43%), além de outras instituições como escolas e igrejas (35%) e comerciantes locais (25%).

O perfil dos gestores dessas redes reflete a diversidade da comunidade, sendo 55% deles pretos ou pardos e 20% indígenas — proporção superior à média da população nacional. Já em relação à escolaridade, 40% deles têm ensino superior e 33%, pós-graduação.

Os principais serviços oferecidos são espaços para gravar, compartilhar online arquivos e documentos (28%), a disponibilização de Intranet (23%), e o oferecimento de mural de avisos da comunidade pela Internet (18%). Serviços de rádio comunitária própria (13%) e TV comunitária própria (8%) foram mencionados em menores proporções.

Quanto à tecnologia de conexão, 18% usavam rádio; 18% satélite e 13% fibra óptica. “Isso contrasta com a situação encontrada na média dos lares brasileiros, nos quais, segundo a pesquisa TIC Domicílios 2021, predomina a conexão por cabo ou fibra óptica. Ao mesmo tempo, a prevalência de rádio e satélite nessas comunidades indica que grande parte dessas redes opera em territórios com obstáculos físicos adicionais à conectividade”, finaliza o gerente do Cetic.br.

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Redação
Tags: inclusão digitalindígenaspovos tradicionaisquilombolasRedes comunitáriasribeirinhos
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