TI e negócios formam conceito único no Portonave

CIO Jardel Fischer integra história do primeiro porto privado do País, com estratégia ousada, inovadora e alinhada à nova economia

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Jardel CIO da Portonave
Jardel CIO da Portonave

Ao conversar com o CIO do Portonave, Jardel Fischer (foto), é praticamente impossível separar TI e negócios. O envolvimento do executivo é total, em todos os processos, porque ele acompanhou toda a construção da iniciativa, localizada em Navegantes (SC). Sua atuação teve início junto com a inauguração, em 2007, do primeiro porto privado do Brasil.

Desde o início das atividades do Portonave, o time da TI é responsável por todos os sistemas e o ambiente tecnológico cresceu junto e alinhado aos objetivos de negócio. Essa sintonia já seria um importante diferencial, mas o mais estratégico nesse desenho foi a forma como o grupo de todos os colaboradores foi formado.

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Fischer sabia que um dos problemas críticos do setor portuário no País era o modelo de trabalho, que emperrava processos por falta de agilidade na logística. “Precisávamos ter sincronia com embarque de cargas, descarregamentos de caminhões e navios, entre outros procedimentos. Havia uma forma inadequada de trabalhar que era padrão do segmento. Não podíamos buscar trabalhadores que já estavam viciados nesse erro”, conta o executivo.

Assim, o comandante fez um mix de profissionais capacitados e buscou jovens que estavam trabalhando na informalidade, como vendedores ambulantes, dispostos a serem treinados no desafio de atuar no terminal Portonave.

“Demos oportunidade a vendedores de picolé e a outros ambulantes que atuavam na praia. Treinamos todos eles do nosso jeito, da forma que entendíamos ser correta, em diferentes áreas. E a nosso favor havia o entusiasmo de ingressarem em um novo projeto de vida”, relata.

Fischer não somente formou um time sem vícios, altamente alinhado aos objetivos de negócio, como indiretamente contribuiu para inclusão social e geração de empregos na região. “Capacitamos toda a nossa mão de obra operacional dentro de casa.” Resultado? No final do mesmo ano da inauguração, o Portonave havia movimentado mais de 6 mil containers. “Foi uma grande comemoração.”

A ousada estratégia de capacitação profissional e o desenvolvimento interno do principal sistema de ERP, o Conect, contribuíram para o sucesso do Portonave, que se tornou referência no setor. “Sempre recebemos aqui profissionais, até mesmo da concorrência, para ver de perto o nosso revolucionário modelo de negócio. “Temos o controle em nosso DNA”, orgulha-se.

Inteligência no porto

Formado em Sistemas de Informação e MBA em Gerenciamento de Projetos, antes de ir para o Portonave, o CIO foi responsável pela tecnologia da informação por oito anos em uma empresa da indústria têxtil.

“Lá, aprendi a fazer mais com menos, a buscar a inovação para superar os grandes desafios desse setor. A bagagem adquirida serviu de importante suporte para o meu desempenho no Portonave”, revela.

Essa filosofia foi passada por Fischer aos 30 profissionais do seu time: “É como na guerra: em situações críticas, a criatividade é o melhor meio de superá-las”.  Em 2017, com a operação do terminal consolidada, nasceu mais um fruto da criatividade constante, o projeto Automação Portuária, com o qual o executivo foi consagrado Executivo de TI do Ano 2018, promovido pela IT Mídia e Korn Ferry, na categoria Transporte e Logística.

Um desafio grandioso. O Portonave ocupa uma área de 400 mil metros quadrados e tem capacidade para mais de 5,4 mil navios atracados, 30 mil containers e 50 mil metros quadrados para armazenagem. E, por essas e outras razões, é o segundo do País e líder de mercado em Santa Catarina, sendo responsável por cerca de 60% de toda a movimentação de carga que ocorre no estado.

Segundo Fischer, hoje transitam no porto diariamente mais de 1,6 mil caminhões e em momentos de pico, essa marca atinge mais de 2 mil. “Somos referência global em logística. Tudo tem de estar sincronizado. Por isso, a importância da automatização de processos, para evitar erros humanos e garantir que tudo ocorra com a máxima sintonia”, diz.

Os caminhoneiros recebem uma senha com horário de carregamento e de descarga.  Processos automatizados como esse estancam várias situações críticas como congestionamento no próprio porto e ainda nas rodovias de principal acesso ao estado, como a BR 101. “Evitamos prejuízo financeiro significativo aos armadores (donos de navio), nossos principais clientes. Navios e caminhões parados é prejuízo certo. O grande diferencial estratégico do terminal é a união de inovação (inteligência) e pessoas.”

Virando a chave

A virada de chave aconteceu no ano passado, em maio de 2017. “Mudamos praticamente 98% da nossa infraestrutura, aprimorando e alinhando ainda mais nosso modelo de negócio. Criamos uma área voltada à melhoria de processos, com profissionais que ficam todo o tempo buscando formas de torná-los mais ágeis, seguros e simplificados.”

O pontapé inicial, na verdade, foi dado pelo destino, quando em meados de 2016, depois que a empresa fornecedora do sistema de ERP específico para o setor portuário saiu do mercado.

“Foi um acontecimento providencial, pois decidimos desenvolver internamente nosso próprio sistema de controle aduaneiro, muito alinhado às estratégias e ao nosso modelo de negócio, que batizamos de Conect. Ele une forças com o BPM e é atualizado continuamente para receber e aprimorar mais funcionalidades.”

O Conect foi a esteira para o projeto Automação Portuária, focado na implementação de tecnologias para sequenciamento automático de carregamento de containers no porto pelos caminhões, automatizando internamente os fluxos de embarque e descarga dos navios.

Hoje, há alta produtividade operacional, com significativa redução de custo em relação ao uso de combustível (ciclo reduzido) e impacto ambiental positivo devido à redução de viagens dos caminhões, além de informações operacionais em tempo real dos caminhões e das cargas movimentadas.

Não por acaso, o Portonave é referência em produtividade global e coleciona certificações como ISPS Code e Operador Econômico Autorizado (OEA) – motivo de orgulho para o Executivo de TI do Ano 2018, que há 11 anos percorre todos os dias 100 km, ida e volta, para desempenhar sua função como comandante da TI de um terminal de sucesso.

Finalistas da categoria Transporte e Logística

1º Jardel Fischer – Portonave

2º Paulo Palaia Sica – Gol Linhas Aéreas

3º Pedro Neves – Tegma

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